
Um advogado foi preso preventivamente na última segunda-feira (1º), suspeito de atuar como peça-chave em um esquema de lavagem de dinheiro e repasses ilícitos que teria destinado mais de R$ 273 mil a uma das principais lideranças do tráfico de drogas do bairro Parolin, em Curitiba, no Paraná.
Segundo a Polícia Civil do Paraná, o profissional teria criado uma empresa de fachada registrada em seu próprio endereço para mascarar transações financeiras usadas no financiamento de uma organização criminosa investigada por movimentar aproximadamente R$ 30,5 milhões com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A PCPR não divulgou o nome do suspeito.
A operação, que chegou à segunda fase nesta semana, teve início em junho de 2025 e já havia resultado na prisão de 11 suspeitos na etapa deflagrada em abril. Investigação aponta que organização criminosa era comandada a partir de Alagoas.
De acordo com os investigadores, a estrutura criada pelo advogado teria sido utilizada para realizar pagamentos que ultrapassam R$ 96 mil, valor que teria custeado cerca de um ano de aluguel de um dos líderes do grupo em um condomínio de luxo em Maceió.
Além disso, a polícia identificou movimentações adicionais de R$ 177,9 mil entre a empresa investigada, operadores financeiros da facção e contas bancárias ligadas a familiares de integrantes do grupo.
Durante as buscas, também foram apreendidos R$ 8,1 mil em espécie sem comprovação de origem. O ponto central da investigação aponta que o grupo criminoso não era apenas atuante no Paraná, mas teria sua liderança baseada em Alagoas.
Segundo a PCPR, o principal chefe da organização, que já se encontra preso, operava à distância e coordenava as ações do tráfico no bairro Parolin, em Curitiba, com apoio de um braço direito.
Essa estrutura, segundo a polícia, reforça o papel de Alagoas na liderança e comando da organização criminosa interestadual.
As investigações também revelam que, após conflitos armados com grupos rivais, a facção consolidou domínio territorial no Parolin. Imóveis na região teriam sido utilizados como depósitos de drogas, armas e pontos de apoio logístico.
A polícia afirma ainda que lideranças chegaram a alegar ameaças de morte, sendo posteriormente transferidas para Maceió, onde continuariam articulando o esquema.
Durante a operação, os investigadores encontraram ainda um cartão de crédito em nome do advogado em posse de um dos líderes da organização, além de um contrato de locação de imóvel em Maceió, o que reforçou os indícios de ligação direta entre os envolvidos.
“Ainda não sabemos se há novas pessoas envolvidas. Se verificarmos novos fatos com novos nomes, haverá continuidade nas investigações”, afirmou o delegado responsável pelo caso, Ricardo Casanova.
A polícia segue analisando celulares apreendidos na operação e não descarta novas fases da investigação.

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