08/02/2026 10:16:14
Polícia
Caso Gabriel Lincoln: advogado reage após nota emitida pelo comando da PM
Gilmar Menino ressalta que tempo de serviço não justifica a promoção de policial sub judice
Arquivo / PessoalAdvogado, Gilmar Menino pede anulação imediata e critica critérios da Polícia Militar
Todo Segundo

A polêmica envolvendo a promoção de um policial militar ligado à morte do adolescente Gabriel Lincoln, de 16 anos, ganhou um novo capítulo na esfera judicial. Após a divulgação de uma Nota Oficial da Polícia Militar de Alagoas defendendo a legalidade da promoção, o advogado da família, Gilmar Menino, decidiu intensificar as medidas jurídicas e ingressou com uma Ação Anulatória de Ato Administrativo na 2ª Vara Cível da Comarca de Palmeira dos Índios, pleiteando a anulação imediata da promoção do militar.

Procurado pelo Portal Todo Segundo, o advogado rechaçou veementemente o conteúdo da nota institucional da PM/AL, classificando-a como “vazia e genérica”.

Segundo Menino, a corporação tenta justificar a promoção apenas com base no tempo de serviço, o que, para ele, não é juridicamente sustentável.

“A promoção de um militar, mesmo por tempo de serviço, não se baseia apenas na antiguidade. O tempo de serviço não é critério absoluto para ascensão funcional dentro da Polícia Militar”, afirmou o advogado.

Ele ressaltou ainda que critérios como conduta ilibada, idoneidade moral e comportamento compatível com o cargo são requisitos indispensáveis para qualquer promoção dentro da carreira policial militar — requisitos que, segundo ele, não poderiam ser ignorados em um caso envolvendo acusação por homicídio qualificado em serviço.

Antes de recorrer à esfera cível, Gilmar Menino já havia peticionado nos autos da Ação Penal em curso, informando o magistrado sobre a promoção e solicitando que o Ministério Público fosse provocado a oficiar o comando-geral da Polícia Militar, cobrando esclarecimentos formais sobre o ato administrativo.

Diante da manutenção da promoção, o advogado decidiu avançar para uma medida mais incisiva: a Ação Anulatória de Ato Administrativo, protocolada na última quarta-feira, na qual sustenta que a promoção viola princípios constitucionais da administração pública, como:

A ação pede, em caráter de urgência, a suspensão imediata dos efeitos da promoção, até julgamento final do mérito.

Repercussão e próximos passos

A promoção do policial e a posterior reação judicial da família ampliaram o debate sobre critérios de promoção na PM/AL, controle disciplinar interno e responsabilidade de agentes envolvidos em mortes durante operações policiais.

A expectativa agora é que a Justiça analise o pedido de liminar na Ação Anulatória e decida se suspende ou mantém a promoção até o julgamento final do processo.

Para a família de Gabriel Lincoln, a medida representa mais um passo na busca por justiça e responsabilização institucional.

Histórico do caso Gabriel Lincoln

Gabriel Lincoln foi morto na noite de 3 de maio de 2025, após ser atingido por um disparo nas costas durante uma perseguição policial em Palmeira dos Índios. O projétil atravessou o pulmão e o coração do adolescente, que chegou a ser socorrido e levado à UPA do município, mas não resistiu aos ferimentos.

A versão inicial apresentada pela Polícia Militar afirmava que o jovem teria sacado um revólver calibre .38 e disparado contra a viatura, justificando a reação dos policiais. Contudo, a família sempre contestou essa narrativa, afirmando que Gabriel estava desarmado e havia saído apenas para comprar alface, ajudando no quiosque de lanches dos pais.

Investigações posteriores indicaram inconsistências na versão policial e apontaram indícios de forjamento de cena, o que reforçou o questionamento sobre a legitimidade da abordagem e do disparo.

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