
O psicólogo Jorge de Araújo Vieira afirmou ter agido em legítima defesa durante a discussão que deixou Clóvis Pereira, de 55 anos, ferido no rosto, em Palmeira dos Índios, no Agreste de Alagoas. A declaração foi feita em entrevista à TV Gazeta nesta terça-feira (20), um dia após a morte de Clóvis, que estava internado no Hospital de Emergência do Agreste (HEA), em Arapiraca.
Ao apresentar sua versão sobre o episódio, Jorge Vieira afirmou que o amigo enfrentava problemas psiquiátricos e teria sofrido um surto na noite da ocorrência. Segundo ele, o comportamento de Clóvis mudou durante as horas que antecederam a discussão.
“O que realmente aconteceu foi um surto psicótico do Clóvis”, declarou Jorge Vieira ao repórter Everton Luiz, ao mencionar o histórico de saúde mental do homem de 55 anos.
De acordo com o relato, a confusão aconteceu dentro do apartamento onde os dois estavam. Jorge Vieira afirmou que Clóvis se aproximou com um prato contendo comida e o ameaçou de morte. O psicólogo disse que tentou se proteger e que, durante a reação, o objeto acabou atingindo o rosto do amigo.
Durante a entrevista, Jorge Vieira contou que os dois haviam passado parte da noite na companhia de outras pessoas antes de retornarem ao apartamento. Ele afirmou que se preocupava com a saúde de Clóvis e com o consumo de bebida alcoólica, devido ao tratamento medicamentoso que, segundo ele, o amigo realizava.
Ainda conforme o relato, Clóvis teria apresentado sinais de alteração emocional e dito que estava ouvindo uma voz que o mandava matar Jorge Vieira.
“Jorge, eu tô ouvindo uma voz que é pra eu lhe matar”, teria dito Clóvis, segundo a versão apresentada pelo psicólogo.
Jorge Vieira afirmou que tentou acalmar o amigo e orientá-lo a se alimentar. Em seguida, foi para a varanda do imóvel. Foi nesse momento, segundo ele, que Clóvis teria se aproximado com o prato e feito uma ameaça.
“Jorge, eu vou lhe matar agora”, teria afirmado Clóvis, conforme o entrevistado.
Ao explicar como o ferimento aconteceu, Jorge Vieira negou ter lançado deliberadamente o prato contra o amigo. Segundo sua versão, Clóvis jogou a comida em sua direção, e ele reagiu segurando o objeto com as duas mãos e empurrando-o de volta.
“Ele não jogou o prato em mim. Ele jogou a comida. [...] Eu, com as duas mãos, empurrei o prato de volta. Foi quando o prato bateu na testa dele”, relatou Jorge Vieira.
Jorge Vieira afirmou que o objeto quebrou e provocou cortes na testa e no nariz de Clóvis. O psicólogo sustentou que agiu diante da ameaça que, segundo ele, havia recebido. A alegação de legítima defesa, contudo, não representa uma conclusão definitiva sobre o caso, que depende da apuração das autoridades.
Jorge Vieira relatou que, após o ferimento, tentou conseguir atendimento para Clóvis. Segundo ele, houve uma tentativa de contato com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas o socorro acabou sendo solicitado ao Corpo de Bombeiros.
“Quando o sangue começou a jorrar, eu telefonei”, afirmou Jorge Vieira ao descrever os momentos seguintes ao ferimento.
Clóvis foi encaminhado inicialmente para atendimento médico em Palmeira dos Índios e, posteriormente, transferido para o Hospital de Emergência do Agreste, em Arapiraca. Conforme o relato do psicólogo, o paciente precisou ser intubado durante a internação.
A morte foi confirmada na segunda-feira (19), quase um mês após a ocorrência, registrada na noite de 25 de setembro, segundo a cronologia apresentada na entrevista.
A causa da morte e a eventual relação entre os ferimentos sofridos na discussão e o óbito precisam ser esclarecidas com base nos documentos médicos e nos procedimentos oficiais. As informações apresentadas na entrevista, isoladamente, não permitem afirmar que o ferimento provocado pelo prato tenha sido a causa direta da morte.
Jorge Vieira também confirmou que foi conduzido ao Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), em Palmeira dos Índios, após o episódio. Segundo ele, prestou depoimento às autoridades e permaneceu preso por alguns dias, mas foi colocado em liberdade após passar por audiência de custódia.
Ao falar sobre o período em que ficou detido, o psicólogo lamentou não ter conseguido participar do sepultamento do amigo.
“Hoje eu estou muito triste porque eu não pude participar do sepultamento do meu amigo”, declarou Jorge Vieira.
Durante a entrevista, Jorge Vieira também afirmou que conversou com familiares de Clóvis após o ocorrido. Segundo ele, recebeu palavras de tranquilidade por parte dos parentes.
Ao explicar a relação entre os dois, o psicólogo negou que mantivessem um relacionamento íntimo e descreveu Clóvis como um irmão. Ele contou que conheceu o homem em 2013, no Rio de Janeiro, e que a amizade se estreitou em 2018, quando Clóvis passou a frequentar Palmeira dos Índios.
“O Clóvis comigo era um irmão”, afirmou Jorge Vieira ao falar sobre a relação que mantinha com o homem.
A morte de Clóvis Pereira acrescenta um novo desdobramento à ocorrência que mobilizou as autoridades em Palmeira dos Índios. Com a declaração à TV Gazeta, Jorge Vieira apresentou publicamente sua versão dos fatos e alegou legítima defesa.
A apuração deverá esclarecer a dinâmica da discussão, as circunstâncias em que Clóvis foi ferido e os elementos que possam estabelecer eventual relação entre a lesão e a morte.
Até que esses pontos sejam esclarecidos oficialmente, as declarações de Jorge Vieira devem ser tratadas como a versão apresentada por uma das pessoas envolvidas no caso, e não como uma conclusão definitiva sobre o ocorrido.

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