03/09/2026 15:23:30
Polícia
Suspeito de golpes em sistema de órgão público de Alagoas é preso no Ceará
Polícia Civil rastreou um dos acessos e chegou ao homem investigado por fraude eletrônica
Reprodução / PCSuspeito de aplicar golpes em sistema de órgão público de Alagoas foi preso no Ceará
Todo Segundo

Um homem foi preso pela Polícia Civil de Alagoas nesta quinta-feira (3), em Icó, no interior do Ceará, suspeito de usar indevidamente o sistema virtual de atendimento de um órgão público estadual para aplicar golpes contra usuários.

A prisão ocorreu durante a Operação Atendimento Fantasma, realizada pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) e pela Divisão Especial de Combate à Corrupção (Deccor).

Segundo as investigações, o suspeito teria conseguido acesso ao ambiente virtual utilizando a credencial de uma pessoa que estava afastada das atividades. A partir do sistema oficial, ele teria se apresentado como responsável pelo atendimento e orientado usuários a fazer pagamentos que não eram previstos nos procedimentos oficiais.

A fraude foi descoberta depois que mecanismos de monitoramento do próprio órgão público detectaram dezenas de acessos e atendimentos considerados irregulares.

Em alguns casos, os usuários eram informados sobre supostos problemas relacionados à emissão de documentos e recebiam orientações para realizar pagamentos por uma modalidade diferente da utilizada oficialmente pela Administração Pública.

A credencial utilizada nas operações estava vinculada a uma pessoa que não estava trabalhando no período em que os acessos foram registrados.

Inicialmente, essa pessoa também foi investigada pela possível participação nos crimes. No entanto, com o avanço das diligências, a Polícia Civil concluiu que os dados de acesso teriam sido utilizados por terceiros e afastou, até o momento, o envolvimento dela no esquema.

Durante a investigação, os policiais descobriram que o responsável pelos acessos utilizava recursos tecnológicos para dificultar o rastreamento das conexões.

Entre as ferramentas identificadas estavam redes privadas virtuais, conhecidas como VPN. Mesmo com a tentativa de esconder a origem dos acessos, os investigadores conseguiram identificar um endereço de IP utilizado durante uma das operações.

O cruzamento das informações técnicas ajudou a polícia a chegar até o suspeito, localizado em Icó, no Ceará.

De acordo com a investigação, o golpe começava com o acesso indevido ao sistema de atendimento.

O suspeito teria entrado em contato com pessoas que procuravam o serviço e se passado por funcionário responsável pelo atendimento. Durante as conversas, alegava que havia problemas na emissão de documentos e dizia que seria necessário realizar pagamentos.

Os valores, segundo a polícia, eram destinados ao grupo envolvido na fraude.

Os investigadores também encontraram indícios de que documentos falsos em formato PDF eram produzidos para dar aparência oficial às cobranças.

Até agora, dois pagamentos realizados por vítimas foram confirmados.

A Justiça autorizou a prisão preventiva e o cumprimento de mandado de busca e apreensão em um endereço ligado ao investigado, em Icó.

Durante a operação, os policiais apreenderam aparelhos eletrônicos e uma motocicleta que, segundo a investigação, seria utilizada pelo suspeito.

As medidas foram determinadas pela 17ª Vara Criminal da Capital em agosto deste ano, após manifestação favorável do Ministério Público de Alagoas.

R$ 8,6 mil foram bloqueados

A investigação aponta ainda que os valores obtidos com as fraudes teriam sido movimentados por contas de terceiros e por intermediadoras de pagamento.

A estratégia, segundo a polícia, poderia dificultar a identificação dos verdadeiros destinatários dos recursos.

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 8.618, quantia correspondente aos valores das fraudes confirmadas até o momento. Também foi autorizado o acesso a dados bancários e telemáticos para aprofundar a investigação.

O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil de Alagoas. Entre os crimes apurados estão, em tese, fraude eletrônica, organização criminosa e lavagem de capitais.

As investigações devem avançar para identificar outras pessoas que possam ter participado do esquema e verificar a eventual utilização de contas, empresas ou intermediadoras para receber e movimentar o dinheiro obtido com as fraudes.

A Polícia Civil ressalta que a classificação jurídica dos fatos pode ser alterada conforme novas informações sejam reunidas durante a investigação.

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