
Comerciantes da Central de Abastecimento de Alagoas (Ceasa), em Maceió, realizaram uma carreata nesta quinta-feira (8), contra o projeto de lei do Governo de Alagoas que prevê a concessão da administração do complexo à iniciativa privada por 30 anos, com possibilidade de prorrogação por igual período.
A mobilização passou pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL), onde os comerciantes protocolaram uma denúncia e foram recebidos pelo procurador-geral de Justiça, Lean Araújo. Em seguida, o grupo seguiu para a Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), onde o projeto está em tramitação.
Os manifestantes afirmam que não foram consultados sobre a proposta e demonstram preocupação com a manutenção dos estabelecimentos, os empregos e os valores cobrados pela ocupação dos espaços.
Segundo um dos comerciantes, o presidente da Ceasa, Davi Maia, não teria informado previamente os trabalhadores sobre a proposta.
“Se mostrou amigo de todos, pediu votos, no entanto não informou ninguém sobre essa proposta de privatização”, afirmou.
O comerciante também disse temer impactos sobre milhares de trabalhadores que dependem da central. Segundo os manifestantes, a Ceasa reúne mais de 5 mil empregos diretos, além de postos indiretos.
O que prevê o projeto
O Projeto de Lei (PL) 2123/2026 não prevê a venda da Ceasa. A proposta autoriza a concessão do complexo por 30 anos, prorrogáveis por mais 30, para uma empresa escolhida por licitação.
Os atuais comerciantes regularmente cadastrados terão dois anos de transição após o início da concessão. Nesse período, os valores de ocupação não poderão superar o preço público vigente no início do contrato, com possibilidade de correção monetária anual.
Após os dois anos, os aluguéis poderão ser reajustados de acordo com os valores de mercado.
O projeto está na pauta da Assembleia Legislativa nesta quinta-feira (8), para segunda discussão.

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