
A dor de uma família, a revolta de um pai e a comoção de amigos marcaram, no início da tarde desta quinta-feira (27), o sepultamento de Ruan Wilson, de 15 anos, filho do lutador de MMA e atleta de jiu-jitsu Pedro Wilson, no Cemitério Campo Santo Parque do Agreste, em Palmeira dos Índios, no Agreste de Alagoas.
O adolescente morreu na noite da última terça-feira (26), após ser atropelado por um carro na Avenida Durval de Góes Monteiro, no Tabuleiro do Martins, em Maceió. Ruan atravessava a faixa de pedestres de bicicleta quando foi atingido pelo veículo. Ele foi arremessado com a força da colisão, foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.
Segundo testemunhas citadas pela família, o semáforo estaria vermelho para os veículos no momento do atropelamento e o carro teria passado pela via em alta velocidade. As circunstâncias da colisão estão sendo investigadas.
Últimos momentos ao lado do pai
Horas antes da tragédia, Ruan havia passado parte do dia com o pai.
Pedro Wilson contou que os dois treinaram musculação juntos, foram a uma padaria e, depois, ele deixou o filho em uma aula particular de matemática. Mais tarde, já na casa da mãe, o adolescente pediu para sair de bicicleta e dar uma volta pelo bairro. Foi durante esse passeio que a vida do jovem foi interrompida.

A notícia da morte transformou a rotina da família em uma tragédia. No velório, Pedro Wilson falou à imprensa emocionado e cobrou respostas das autoridades sobre o atropelamento e sobre os procedimentos adotados após a ocorrência.
Um vídeo gravado logo após a colisão passou a ser citado pela família como uma das evidências que podem ajudar a esclarecer o que aconteceu.
Nas imagens, uma testemunha aparece revoltada diante do motorista e questiona a velocidade em que ele estaria trafegando. O homem afirma que quase também teria sido atingido pelo veículo. “Você quase bateu em mim. Você está bêbado? Eu vi você correndo”, diz a testemunha durante a gravação.
Em outro momento, o homem aponta para a cena do acidente e demonstra indignação diante da situação.
O conteúdo do vídeo é apontado pela família como importante para a investigação. As declarações da testemunha sobre possível embriaguez e velocidade elevada, no entanto, ainda precisam ser confirmadas oficialmente pelas autoridades.
Durante o velório, Pedro Wilson fez duras cobranças às autoridades de segurança pública de Alagoas.
Segundo o lutador, duas guarnições da Polícia Militar estavam no local do acidente, mas o motorista não teria sido conduzido imediatamente à delegacia.
Pedro afirma ter recebido relatos de pessoas que estavam na região de que o motorista teria deixado o local e comparecido posteriormente à Delegacia de Flagrantes.
O pai questiona por que o condutor não teria sido submetido imediatamente ao teste do bafômetro e por que não teria sido conduzido para os procedimentos policiais logo após a ocorrência. “Por que as duas guarnições que estavam lá não realizaram o seu trabalho?”, questionou.
Pedro também pediu que a atuação dos agentes que atenderam a ocorrência seja analisada e que todas as circunstâncias sejam esclarecidas.
Em meio à dor e à revolta, o pai classificou a morte do filho como homicídio e afirmou que não aceita que o caso seja tratado apenas como uma fatalidade. “Isso foi um homicídio”, afirmou Pedro Wilson.
Pedro também relatou que testemunhas teriam apontado que o motorista trafegava em velocidade muito acima do permitido e que estaria sob efeito de álcool.
As declarações são acusações feitas pelo pai e por testemunhas, que ainda dependem de confirmação pericial e policial.
O lutador fez um apelo à Secretaria de Segurança Pública, à Polícia Civil e ao comando da Polícia Militar para que o caso seja investigado com rigor. “Que esse crime não seja impune, porque a vida dele não vai voltar. Eu sei que não vai voltar. Mas, por favor, investiguem esse caso”, afirmou.
Outro ponto levantado por Pedro Wilson é o intervalo entre o atropelamento e a apresentação do motorista à polícia.
Segundo o pai, o acidente aconteceu por volta das 22h, enquanto o condutor teria comparecido à Delegacia de Flagrantes às 00h59.
Pedro questiona o fato de o motorista ter se apresentado posteriormente e pede que sejam esclarecidas todas as circunstâncias envolvendo o período entre a colisão e a chegada dele à delegacia.
O lutador também contesta a versão que, segundo ele, teria sido apresentada pelo motorista, de que a via estaria escura e que ele não teria visto Ruan.
Para Pedro, a iluminação no trecho era suficiente e outras testemunhas podem contribuir para esclarecer o que ocorreu.
As últimas homenagens

Ruan Wilson era estudante e praticava jiu-jitsu. Aos 15 anos, começava a construir sua trajetória no esporte e era descrito pelo pai como um adolescente tranquilo, paciente e muito amigo.
Colegas de treino estiveram no velório para prestar as últimas homenagens.
Pedro conta que o filho tinha uma característica que admirava especialmente: a capacidade de manter a calma diante dos problemas. “Apesar de ter 15 anos, ele era muito tranquilo. Era calado, mas era um cara muito tranquilo e muito amigo”, contou.
Aos familiares e amigos, ficou a lembrança de um adolescente que tinha uma vida inteira pela frente.
A despedida
O sepultamento foi marcado por lágrimas, abraços e muita comoção. Familiares, amigos e colegas do esporte acompanharam o último adeus a Ruan.
Pedro Wilson, que dedicou a vida às lutas e está acostumado às batalhas dentro dos tatames e dos ringues, agora enfrenta aquela que considera a mais difícil de sua vida.
Enterrar o próprio filho.

Ruan Wilson tinha apenas 15 anos.
A família agora cobra respostas sobre a dinâmica do atropelamento, a velocidade do veículo, uma possível embriaguez do motorista e os procedimentos adotados pelas forças de segurança após a colisão.
Nada disso, porém, é capaz de devolver a vida do adolescente.
Para Pedro, resta a dor de uma perda irreparável e a esperança de que a investigação esclareça o que aconteceu naquela noite. “Nada vai trazer a vida do meu filho de volta.”


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