
Uma inspeção do Ministério Público de Alagoas (MPAL) encontrou uma série de problemas estruturais e de funcionamento na Delegacia do 22º Distrito Policial, no Trapiche da Barra, em Maceió. A vistoria foi realizada nesta segunda-feira (24)M pela Promotoria de Controle Externo da Atividade Policial.
De acordo com a promotora de Justiça Karla Padilha, responsável pela fiscalização, o cenário encontrado na unidade inclui presença de mosquitos, ratos e cobras, condições insalubres, falta de acessibilidade e acúmulo de inquéritos policiais.
Outro problema apontado pelo MPAL é a falta de um espaço adequado para que vítimas e outras pessoas aguardem atendimento. A situação se agrava para quem tem dificuldade de locomoção, já que o acesso à sala onde são registrados os boletins de ocorrência é feito por uma escada considerada inadequada.
A fiscalização também identificou um efetivo reduzido. Segundo o MPAL, são apenas sete servidores na unidade, já contando com o delegado. Os profissionais ainda trabalham em regime de rodízio, o que diminui o número de policiais disponíveis diariamente para atender a população.
“Lamentavelmente, é um espaço sem acessibilidade”, destacou a promotora Karla Padilha, ao apontar as dificuldades enfrentadas por pessoas com mobilidade reduzida.
Durante a inspeção, o MP também encontrou veículos apreendidos que deveriam ter sido retirados da delegacia. Automóveis e motocicletas permanecem em um pátio interno, expostos ao sol e à chuva e tomados pelo mato.
Para o Ministério Público, a situação é incompatível com a necessidade de oferecer um atendimento digno à população, principalmente em uma região que precisa de uma estrutura policial adequada.
“O Trapiche da Barra é um bairro que necessita de uma delegacia com excelência de atendimento. A gente lamenta encontrar uma situação como essa. O cidadão precisa ter dignidade no atendimento, principalmente quando é vítima de um crime”, afirmou a promotora.
MP pode levar caso à Justiça
A fiscalização faz parte das inspeções realizadas pela 62ª Promotoria de Justiça da Capital, conforme determina a Resolução nº 279/2023 do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
O trabalho avalia as condições estruturais das unidades da Polícia Civil, a salubridade dos ambientes, o volume de inquéritos acumulados e a capacidade técnica e operacional dos policiais responsáveis pelas investigações.
Após as constatações, o MPAL informou que vai expedir ofícios e recomendações para cobrar providências. Em situações consideradas mais graves, o órgão poderá ingressar com Ações Civis Públicas contra o Estado de Alagoas para exigir a correção dos problemas encontrados.
A fiscalização faz parte de uma série de inspeções realizadas pelo Ministério Público em unidades da Polícia Civil de Alagoas.




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