13/04/2026 11:51:31
Brasil
Alta no financiamento de veículos escancara aperto financeiro do brasileiro
Expansão do financiamento reflete distanciamento entre renda das famílias e preço dos veículos
Agência Brasil Disparada no financiamento de veículos escancara crise no poder de compra do brasileiro
Todo Segundo

O crescimento de 12,8% no financiamento de veículos no primeiro trimestre de 2026, divulgado pela B3, pode até sinalizar aquecimento do mercado automotivo — mas revela, sobretudo, uma realidade preocupante: o brasileiro está cada vez mais dependente do crédito para adquirir bens básicos.

De janeiro a março, foram 1,89 milhão de veículos financiados no país, o melhor resultado para o período desde 2008. À primeira vista, o número pode sugerir avanço econômico. Na prática, porém, especialistas apontam que o dado evidencia a dificuldade crescente da população em realizar compras à vista.

“O crescimento do financiamento de veículos não significa necessariamente melhora econômica. Na prática, revela que o consumidor perdeu capacidade de compra à vista e passou a depender cada vez mais do crédito para manter o consumo.” Disse ao Portal Todo Segundo, o economista e consultor financeiro,Ricardo Flores. 

A predominância dos veículos usados no volume financiado — 1,21 milhão de unidades, contra 675 mil novos — reforça esse cenário. Com renda comprimida e preços em alta, consumidores recorrem ao mercado secundário e ao parcelamento como única alternativa viável.

Outro dado que chama atenção é o avanço expressivo do Crédito Direto ao Consumidor (CDC), que somou 1,619 milhão de contratos no trimestre. A modalidade, tradicionalmente associada a juros elevados, indica que o acesso ao consumo está cada vez mais atrelado ao endividamento das famílias.

Embora o governo federal sustente o discurso de recuperação econômica, os números revelam um modelo baseado na expansão do crédito, e não no aumento real do poder de compra. Na prática, isso significa que o crescimento do setor automotivo ocorre sustentado por parcelas longas e compromissos financeiros futuros.

O cenário se torna ainda mais sensível quando se observa a alta nos preços dos veículos. Em março, os modelos zero quilômetro registraram aumento médio de 0,86%, enquanto os usados mantiveram leve elevação. Ou seja, além de depender de financiamento, o consumidor também enfrenta custos mais altos para adquirir um veículo.

O desempenho de março reforça essa tendência: foram 703 mil unidades financiadas no mês, alta de 27,6% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado, o melhor desde 2011, foi puxado tanto por veículos novos quanto usados — ambos impulsionados pela necessidade de parcelamento.

Regionalmente, o Nordeste liderou o crescimento percentual, com alta de 16,6%, indicando que a dependência do crédito é ainda mais acentuada em regiões com menor renda média.

Para o economista, o avanço generalizado dos financiamentos não deve ser interpretado apenas como sinal de aquecimento econômico, mas como um alerta. O aumento do crédito, sem melhora proporcional da renda, pode elevar os níveis de inadimplência e aprofundar o endividamento das famílias brasileiras.

“O aumento expressivo dos financiamentos escancara uma economia baseada no endividamento das famílias. O consumo cresce, mas sustentado por parcelas longas e juros elevados.” Afirma Flores.

Segundo Ricardo Flores, assim, por trás dos números positivos apresentados pelo mercado, cresce um cenário de alerta: o brasileiro continua comprando — mas cada vez mais à prazo, pagando mais caro e assumindo riscos maiores no futuro. 

“O aumento expressivo dos financiamentos escancara uma economia baseada no endividamento das famílias. O consumo cresce, mas sustentado por parcelas longas e juros elevados.” Completa.

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