
O senador Carlos Viana (PSD-MG) protocolou nesta terça-feira (1º), o 54º pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa ocorre após a divulgação de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, envolvendo o contrato firmado entre o banco e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Viana também elevou o tom contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Em publicação nas redes sociais, o senador afirmou que poderá pedir o afastamento de Alcolumbre da presidência da Casa caso o pedido de impeachment de Moraes seja arquivado ou não avance.
“Se engavetar o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes para protegê-lo da investigação do Senado, pedirei o afastamento de Alcolumbre da Presidência da Casa e sua responsabilização”, afirmou Viana.
Segundo o senador, Alcolumbre precisa decidir entre dar andamento ao procedimento ou responder politicamente pela decisão de não fazê-lo.
Novos pedidos podem elevar número para 56
Além de Carlos Viana, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o deputado federal Cabo Gilberto (PL-PB) também anunciaram que pretendem apresentar pedidos de impeachment contra Moraes.
Com as novas iniciativas, o número de pedidos contra o ministro que aguardam análise no Senado poderá chegar a 56.
A ofensiva ocorre em meio à divulgação de novas informações de uma investigação da Polícia Federal envolvendo Daniel Vorcaro. O ministro André Mendonça, do STF, determinou nesta terça-feira a retirada do sigilo de parte do material.
Contrato de R$ 131 milhões
Entre as informações que vieram a público estão mensagens trocadas por Vorcaro e documentos relacionados ao contrato do Banco Master com o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia, de propriedade de Viviane Barci de Moraes.
Segundo o material divulgado, em 8 de fevereiro de 2024, Vorcaro pediu ao cunhado, Fabiano Zettel, que encaminhasse o “contrato barci moraes assinado” e questionou quando seria realizado o primeiro pagamento.
No mesmo dia, Angelo Silva teria enviado a Vorcaro um comprovante de transferência de R$ 3,42 milhões do Banco Master para uma conta do escritório no Itaú.
O contrato entre o banco e o escritório teria valor total de R$ 131 milhões. Conforme informações divulgadas pela imprensa, Alexandre de Moraes teria participado da edição do documento antes da assinatura.
Mensagens citam possível saída do país
O material tornado público também apresenta mensagens atribuídas a Vorcaro e relacionadas ao período que antecedeu sua prisão.
Em 15 de novembro de 2025, o ex-banqueiro teria perguntado a Moraes se deveria deixar o Brasil antes de ser preso, quando tentava embarcar em um avião particular com destino a Dubai.
“Acha que segunda já tenho que estar fora?”, escreveu Vorcaro.
Na sequência, ele teria feito outras perguntas relacionadas à situação, mencionando o juiz Ricardo e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo: “Aquele mesmo juiz Ricardo? E o (Gabriel) Galípolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo?”.
As mensagens foram divulgadas inicialmente pelo jornal O Estado de S. Paulo.
A divulgação do conteúdo aumentou a pressão política sobre o Senado e reacendeu a discussão sobre os pedidos de impeachment apresentados contra Alexandre de Moraes. Apesar do número elevado de solicitações, cabe ao presidente do Senado decidir sobre o andamento dos pedidos.

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