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Justiça
“Se algo acontecer comigo, foi ele”: caso Mônica chega ao Tribunal do Júri
Acusado de executar a esposa em via pública será julgado em Arapiraca no dia 28 de abril
ReproduçãoAcusado de matar esposa em São José da Tapera será julgado pelo Tribunal do Júri
Todo Segundo

Quase dois anos após um crime que abalou Alagoas e ganhou repercussão nacional, a Justiça marcou o julgamento de Leandro Pinheiro Barros, acusado de matar a própria esposa, Mônica Gomes Cavalcante Alves, de 26 anos. O réu será levado ao Tribunal do Júri no próximo dia 28 de abril, em sessão que ocorrerá na sede da Comarca de Arapiraca.

A decisão foi assinada pelo juiz Alberto de Almeida, titular da 5ª Vara da Comarca, e determina que o acusado responda em plenário pelo crime de feminicídio cometido em junho de 2023, em São José da Tapera, no Sertão do Estado.

Mônica foi assassinada a tiros em plena via pública, em frente ao fórum da cidade, poucas horas depois de ter gravado um vídeo em que relatava agressões físicas e psicológicas sofridas ao longo do relacionamento. No registro, que se espalhou rapidamente pelas redes sociais, a jovem expressou medo e fez um alerta direto: se algo lhe acontecesse, o responsável seria o marido.

O crime ocorreu após o casal participar de uma festa. Segundo as investigações, após uma discussão, Leandro deixou o local, foi até a residência onde morava com Mônica, pegou uma arma de fogo e retornou para encontrá-la. Em seguida, efetuou disparos à curta distância, conforme apontam os laudos periciais.

O promotor de Justiça Fábio Bastos Nunes destacou a frieza da execução e a gravidade do caso, ressaltando que os elementos técnicos da perícia reforçam a periculosidade do acusado. A vítima morreu no local, antes de receber atendimento médico.

Logo após o assassinato, Leandro fugiu do país e permaneceu foragido por cerca de dez meses. Ele foi localizado e preso na cidade de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, sendo posteriormente transferido para Alagoas, onde permanece à disposição da Justiça.

A sessão do júri popular será realizada no auditório do Tribunal do Júri da Comarca de Arapiraca. Defesa, Ministério Público e testemunhas já foram oficialmente intimados.

O caso de Mônica se tornou símbolo da violência contra a mulher em Alagoas, não apenas pela brutalidade do crime, mas também pelo apelo feito pela própria vítima horas antes de morrer. Ela deixou dois filhos, fruto do relacionamento com o acusado.

A expectativa é de que o julgamento reacenda o debate sobre feminicídio, relacionamentos abusivos e a importância de mecanismos de proteção às mulheres em situação de risco.

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