
A Justiça de Alagoas definiu, nesta quarta-feira (20), a retomada da audiência de instrução do caso que apura a morte do adolescente Gabriel Lincoln Pereira da Silva, de 16 anos. A nova etapa foi marcada para o dia 14 de outubro deste ano.
O processo tramita na 4ª Vara Criminal de Palmeira dos Índios, e investiga a morte do jovem ocorrida em uma abordagem da Polícia Militar em 3 de maio de 2025.
A decisão ocorre após a primeira fase da audiência, realizada no último dia 15, que não foi concluída. Segundo o andamento processual, o encerramento parcial se deu em razão do volume de testemunhas e réus a serem ouvidos, o que impossibilitou a finalização de todas as etapas previstas inicialmente.
Com isso, a audiência foi desmembrada, ficando a continuidade dos depoimentos e demais atos processuais remarcados para outubro. A medida mantém o caso em fase de instrução, etapa em que são reunidas provas, ouvidas testemunhas e analisados elementos que vão embasar a decisão judicial sobre eventual envio dos réus a julgamento pelo Tribunal do Júri.
O caso Gabriel Lincoln segue sob acompanhamento do Ministério Público de Alagoas, que denunciou três policiais militares e pediu a reclassificação do crime de homicídio culposo para homicídio doloso — quando há intenção de matar.
De acordo com as investigações da Polícia Civil, o adolescente foi baleado durante uma perseguição policial enquanto pilotava uma motocicleta. A versão inicial apresentada pela Polícia Militar aponta que o jovem teria realizado manobras perigosas e, supostamente, disparado contra a viatura — versão contestada desde o início.
Com a nova data definida, o caso volta ao centro das atenções após a expectativa gerada pela audiência do dia 15, que não foi concluída e deixou em aberto os próximos desdobramentos do processo.
A retomada em outubro deve concentrar os atos restantes da instrução e pode ser decisiva para o avanço da ação penal em Alagoas.
Histórico do caso Gabriel Lincoln
Gabriel Lincoln foi morto na noite de 3 de maio de 2025, após ser atingido por um disparo nas costas durante uma perseguição policial em Palmeira dos Índios. O projétil atravessou o pulmão e o coração do adolescente, que chegou a ser socorrido e levado à UPA do município, mas não resistiu aos ferimentos.
A versão inicial apresentada pela Polícia Militar afirmava que o jovem teria sacado um revólver calibre .38 e disparado contra a viatura, justificando a reação dos policiais. Contudo, a família sempre contestou essa narrativa, afirmando que Gabriel estava desarmado e havia saído apenas para comprar alface, ajudando no quiosque de lanches dos pais.
Investigações posteriores indicaram inconsistências na versão policial e apontaram indícios de forjamento de cena, o que reforçou o questionamento sobre a legitimidade da abordagem e do disparo.

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