16/10/2026 22:48:27
Justiça
Caso Gabriel Lincoln: militares são ouvidos e Justiça deve decidir sobre júri popular
Depoimentos encerraram a fase de instrução nesta sexta-feira (16), em Palmeira dos Índios
Reprodução Gabriel Lincoln foi morto em uma abordagem da PM em maio de 2025, em Palmeira dos Índios
Todo Segundo

Os policiais militares envolvidos no caso Gabriel Lincoln foram ouvidos pela Justiça nesta sexta-feira (16), em Palmeira dos Índios. Com a conclusão dos depoimentos, foi encerrada a fase de instrução do processo, que agora aguarda decisão da juíza Bruna Fanny de Oliveira Lemos, titular da 4ª Vara Criminal do município, sobre os próximos encaminhamentos da ação penal e a eventual submissão dos acusados a julgamento pelo Tribunal do Júri.

A informação foi confirmada pelo advogado Gilmar Menino, que atua na assistência à acusação e representa os interesses da família do adolescente. Segundo ele, as testemunhas já haviam sido ouvidas em uma audiência anterior, e a sessão desta sexta-feira ficou concentrada nos depoimentos dos militares.

Com o encerramento dessa etapa, a assistência à acusação aguarda a decisão judicial. Gilmar Menino afirmou esperar que os acusados sejam pronunciados, ou seja, encaminhados a julgamento popular.

“Essa fase foi superada, encerrada com sucesso. Agora, é aguardar a decisão da magistrada, que nós esperamos que seja a decisão de pronúncia, levando eles ao escrutínio do júri popular”, declarou o advogado ao Portal Todo Segundo.

Como o processo tramita sob segredo de Justiça, detalhes dos depoimentos e informações sobre o conteúdo da audiência não podem ser divulgados.

Ministério Público denunciou três policiais

O Ministério Público de Alagoas (MPE/AL) denunciou três policiais militares e pediu que o caso seja tratado como homicídio doloso, quando há intenção de matar, em vez de homicídio culposo, caracterizado pela ausência de intenção.

Caberá à juíza Bruna Fanny de Oliveira Lemos analisar os elementos reunidos durante a instrução e decidir se há fundamentos para pronunciar os acusados. A decisão de pronúncia não representa condenação, mas permite que o caso seja submetido ao Tribunal do Júri, caso os requisitos legais sejam reconhecidos.

Histórico do caso

Gabriel Lincoln Pereira da Silva, de 16 anos, morreu na noite de 3 de maio de 2025, após ser atingido por um disparo nas costas durante uma perseguição policial em Palmeira dos Índios. O projétil atingiu órgãos vitais, atravessando o pulmão e o coração. O adolescente chegou a ser socorrido e levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município, mas não resistiu aos ferimentos.

Na versão inicialmente apresentada pela Polícia Militar, o adolescente teria sacado um revólver calibre .38 e efetuado disparos contra a viatura, o que teria motivado a reação dos policiais. A família, no entanto, contestou essa narrativa desde o início, sustentando que Gabriel estava desarmado e havia saído apenas para comprar alface, enquanto ajudava no quiosque de lanches dos pais.

As investigações posteriores apontaram inconsistências na versão apresentada sobre a ocorrência e levantaram suspeitas sobre uma possível tentativa de simular uma situação que justificasse a ação policial. O caso passou a ser alvo de questionamentos sobre as circunstâncias da abordagem e do disparo que matou o adolescente.

O Ministério Público de Alagoas denunciou três policiais militares e pediu que o caso seja enquadrado como homicídio doloso. A ação penal segue em tramitação na 4ª Vara Criminal de Palmeira dos Índios.

Com os policiais ouvidos e a fase de instrução concluída, o processo aguarda agora a decisão da Justiça sobre o próximo passo da ação penal.

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