14/05/2026 16:01:53
Justiça
Gabriel Lincoln: Justiça realiza audiência crucial nesta sexta (15) sobre morte de menor
Audiência de instrução e julgamento pode definir se três policiais militares irão a júri popular
DivulgaçãoGabriel Lincoln foi morto em uma abordagem da PM em maio de 2025, em Palmeira dos Índios
Todo Segundo

A Justiça de Alagoas marcou para esta sexta-feira, 15 de maio, a audiência de instrução e julgamento do caso que apura a morte do adolescente Gabriel Lincoln Pereira da Silva, de 16 anos. O jovem foi morto durante uma abordagem da Polícia Militar no dia 3 de maio de 2025, no município de Palmeira dos Índios.

A audiência é considerada uma das etapas mais importantes do processo e pode definir se os três policiais militares denunciados serão levados a júri popular. A fase marca um ponto decisivo da ação penal, com a oitiva de testemunhas, análise de provas e depoimentos colhidos ao longo da investigação.

Segundo o advogado da família, Gilmar Menino, assistente de acusação, a expectativa é de que o conjunto probatório leve o Judiciário a pronunciar os réus, encaminhando o caso ao Tribunal do Júri.

“Não tenho dúvidas que diante da robustez probatória acostada aos autos, o Poder Judiciário decidirá pela pronúncia dos réus, conduzindo-os ao Tribunal do Júri, a quem compete julgar crimes dolosos contra a vida”, afirmou o advogado.

De acordo com as investigações da Polícia Civil, Gabriel foi baleado durante uma perseguição policial enquanto pilotava uma motocicleta. A Polícia Militar alegou que o adolescente teria realizado manobras perigosas e supostamente disparado contra a viatura — versão contestada desde o início pelos familiares.

As apurações apontam ainda que Gabriel estaria desarmado no momento da ocorrência. O inquérito policial indicou indícios de tentativa de simulação de legítima defesa e concluiu que o disparo teria sido feito de forma acidental por um dos militares, que acabou indiciado por homicídio culposo.

O Ministério Público Estadual de Alagoas (MPE/AL) denunciou três policiais militares, pedindo a reclassificação do crime de homicídio culposo para homicídio doloso — quando há intenção de matar. A medida reforça a tese acusatória de que a conduta dos agentes não teria sido acidental, mas sim compatível com dolo, o que pode alterar significativamente o rumo do processo.

A defesa dos policiais militares ainda não se pronunciou publicamente sobre a audiência desta sexta-feira.

A realização da audiência ocorre quase um ano após a morte do adolescente e é vista como um momento crucial para o andamento do processo, podendo definir se o caso seguirá para julgamento pelo Tribunal do Júri ou terá outro desfecho na esfera judicial.

Enquanto isso, familiares de Gabriel seguem acompanhando cada etapa do processo com expectativa e cobrando responsabilização pelo caso que segue repercutindo em Alagoas.

Histórico do caso Gabriel Lincoln

Gabriel Lincoln foi morto na noite de 3 de maio de 2025, após ser atingido por um disparo nas costas durante uma perseguição policial em Palmeira dos Índios. O projétil atravessou o pulmão e o coração do adolescente, que chegou a ser socorrido e levado à UPA do município, mas não resistiu aos ferimentos.

A versão inicial apresentada pela Polícia Militar afirmava que o jovem teria sacado um revólver calibre .38 e disparado contra a viatura, justificando a reação dos policiais. Contudo, a família sempre contestou essa narrativa, afirmando que Gabriel estava desarmado e havia saído apenas para comprar alface, ajudando no quiosque de lanches dos pais.

Investigações posteriores indicaram inconsistências na versão policial e apontaram indícios de forjamento de cena, o que reforçou o questionamento sobre a legitimidade da abordagem e do disparo.

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