
Uma delegacia com problemas estruturais, poucos servidores e dificuldades para conduzir investigações. Esse foi o cenário encontrado pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) durante uma inspeção realizada na Delegacia do 25º Distrito da Capital, localizada no bairro de Fernão Velho, em Maceió.
A fiscalização apontou um quadro de precariedade que, segundo o órgão, pode comprometer diretamente a apuração de crimes e a resposta oferecida à população. Entre os principais problemas identificados estão a estrutura física inadequada do imóvel, mobiliário deteriorado e a redução do efetivo policial.
A vistoria foi realizada nesta quinta-feira (6) pela 62ª Promotoria de Justiça da Capital, responsável pelo Controle Externo da Atividade Policial, seguindo as normas estabelecidas pela Resolução nº 279/2023 do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
O trabalho faz parte de uma série de inspeções que avaliam as condições das unidades da Polícia Civil, incluindo estrutura dos prédios, salubridade, quantidade de inquéritos acumulados e capacidade das equipes responsáveis pelas investigações.
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Problemas já haviam sido apontados
A Delegacia do 25º Distrito foi a 14ª unidade da Polícia Civil visitada pelo MPAL desde a retomada das fiscalizações, em julho deste ano. De acordo com a promotora de Justiça Karla Padilha, titular da 62ª Promotoria, os problemas encontrados já haviam sido identificados em uma inspeção anterior, realizada em 2025.
Segundo ela, poucas mudanças foram adotadas desde então.
“É um imóvel locado, que não oferece condições adequadas de funcionamento. O mobiliário está completamente destruído, há gabinetes sem cadeiras para funcionar, são poucos profissionais, o que inviabiliza qualquer investigação que se queira fazer”, afirmou a promotora.
Durante a inspeção, o Ministério Público destacou que a falta de estrutura e servidores afeta a rotina dos policiais, dificulta o andamento dos procedimentos e pode atrasar a solução de casos investigados pela unidade.
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MP pode acionar Estado na Justiça
Diante dos problemas encontrados, o MPAL informou que deverá encaminhar ofícios e recomendações aos órgãos responsáveis para cobrar providências.
Em situações onde não houver solução, o Ministério Público poderá ingressar com Ações Civis Públicas (ACPs) contra o Estado de Alagoas para buscar melhorias nas condições de funcionamento das delegacias.
“São condições que prejudicam os resultados que a sociedade espera da Polícia Judiciária, que é a investigação e solução de crimes”, reforçou Karla Padilha.
As inspeções nas delegacias da capital devem continuar durante os meses de agosto e setembro, com novas vistorias programadas pelo Ministério Público para avaliar a estrutura da Polícia Civil em Maceió.

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