
O histórico de condenações de Albino Santos de Lima ganhou mais um capítulo nesta quinta-feira (22). O réu, apontado pelas investigações como o “serial killer de Maceió”, foi condenado a mais 60 anos de prisão pelo assassinato de um casal no bairro Vergel do Lago, na parte baixa da capital alagoana. A sentença foi proferida durante julgamento no Tribunal do Júri, que estabeleceu duas penas de 30 anos de reclusão, uma para cada vítima.
As vítimas foram Débora Vitória Silva dos Santos, de 21 anos, e o companheiro dela, John Lennon Santos Ferreira, de 20. O duplo homicídio aconteceu em 18 de dezembro de 2023. Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou que os crimes foram cometidos por motivo fútil e com o uso de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas.
Na definição das penas, a Justiça estabeleceu inicialmente 27 anos de reclusão pelo assassinato de John Lennon. Na etapa seguinte, a pena foi elevada para 30 anos, valor mantido como definitivo. O mesmo procedimento foi aplicado ao homicídio de Débora Vitória, resultando em outra condenação de 30 anos.
Com a nova sentença, Albino acumula mais 60 anos de prisão. Antes do julgamento desta quinta-feira, as condenações impostas a ele em outros processos já ultrapassavam 234 anos de reclusão.
Promotor cita laudo psiquiátrico durante acusação
Durante os debates no Tribunal do Júri, o promotor de Justiça Vilas Boas utilizou trechos de um laudo psiquiátrico para sustentar seus argumentos sobre o comportamento atribuído ao acusado. Segundo o representante do Ministério Público, o documento aponta indiferença aos sentimentos de outras pessoas.
“Ele tem distúrbio de comportamento, é aquele que não tem empatia e não se compadece do sentimento alheio. Então, matar um ser humano ou um mosquito para ele tanto faz”, declarou o promotor.
Vilas Boas também criticou uma reportagem exibida pela Record sobre outro caso de homicídio. De acordo com a versão apresentada pelo promotor, um homem identificado como Guilherme chegou a ser relacionado ao crime, mas, posteriormente, os investigadores apresentaram um depoimento no qual Albino confessava a autoria.
O representante do Ministério Público afirmou que pediu o cancelamento do júri previsto para aquele processo para que Albino fosse denunciado pelo assassinato. Ele também contestou a abordagem da reportagem e esclareceu, segundo sua manifestação, que Guilherme estava preso por outro delito, e não pelo homicídio mencionado na matéria.
Ainda durante a acusação, o promotor afirmou que o réu teria tratado as mortes como troféus e manifestou a opinião de que ele não poderia ser recuperado. As declarações fizeram parte da argumentação apresentada pelo Ministério Público aos jurados.
Defesa destaca direito de representação e questiona interpretação sobre o réu
Do outro lado, o advogado Geoberto defendeu o direito de Albino à ampla defesa, independentemente da gravidade das acusações. Durante sua manifestação, ele afirmou que exercia uma função garantida pela legislação brasileira ao representar o acusado perante a Justiça.
“Em nome das famílias das vítimas, quero lembrar que, como defensor particular, estou cumprindo meu papel. E nossa lei permite que a pessoa, por maior que seja o crime cometido, tem direito à defesa”, declarou.
Para sustentar sua argumentação, o defensor relatou episódios da infância de Albino, apresentados como exemplos de solidariedade. Entre as histórias mencionadas, estavam relatos de familiares segundo os quais ele teria dividido o lanche com uma colega que não tinha comida e entregado os próprios tênis a outro menino.
“Por que eu conto isso? Para provar que o Albino é uma pessoa boa. Se tiver cometido algum crime, foi algo eventual, mas ele é uma pessoa boa”, afirmou o advogado.
A defesa também recorreu ao laudo psiquiátrico citado durante o julgamento. Segundo a interpretação apresentada pelo advogado, o documento indicaria que percepção, memória, inteligência e consciência do réu estariam dentro dos limites da normalidade.
Na réplica, o promotor rebateu a interpretação da defesa sobre a participação de um pastor no contexto do caso. Vilas Boas afirmou que o depoimento não havia sido apresentado como prova determinante da autoria, mas como um elemento para contextualizar a motivação atribuída ao crime.
Réu está preso desde 2024 e acumula condenações
Albino Santos de Lima está preso desde 2024 e já foi condenado em julgamentos anteriores por outros assassinatos. Antes da sentença desta quinta-feira, as penas divulgadas em processos anteriores ultrapassavam 234 anos de reclusão.
A nova condenação, relacionada às mortes de Débora Vitória e John Lennon, acrescenta outras seis décadas ao total de penas impostas ao réu.
O julgamento representa mais um desdobramento dos processos criminais que levaram Albino ao Tribunal do Júri. Com a decisão, ele passa a acumular mais 60 anos de reclusão, além das condenações anteriores.

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