
A disputa jurídica envolvendo o futuro político de Alvinho Lira, filho do deputado federal Arthur Lira (PP-AL), ganhou novos contornos e pode provocar reflexos diretos no cenário eleitoral de Alagoas. O presidente nacional do Democracia Cristã (DC), João Caldas, reforçou junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) o pedido para que seja mantida a tramitação da ação que questiona a idade mínima para posse de deputados federais — processo que, na prática, pode inviabilizar a posse de Alvinho caso ele seja eleito em 2026.
O movimento de João Caldas, pai do ex-prefeito de Maceió JHC (PL), também amplia o distanciamento político entre as famílias Caldas e Lira e praticamente enterra qualquer possibilidade de uma aliança entre Arthur Lira e JHC na disputa pelo Governo de Alagoas.
Nos bastidores da política alagoana, a avaliação é de que a ofensiva judicial representa um dos episódios de maior tensão entre os dois grupos políticos desde o início das articulações para as eleições deste ano.
A ação protocolada pelo Democracia Cristã questiona dispositivos das leis de 1997 e de 2025 relacionados ao requisito constitucional da idade mínima para o exercício do mandato parlamentar. O partido sustenta que a idade de 21 anos deve ser comprovada na data da posse.
Alvinho Lira nasceu em março de 2006 e, caso seja eleito deputado federal, tomaria posse em fevereiro de 2027, antes de completar a idade mínima exigida pela Constituição.
Disputa sobre filiação amplia o embate
O processo ganhou um novo capítulo após o deputado federal José Carlos Araújo (BA) afirmar que jamais autorizou sua filiação ao Democracia Cristã.
Segundo o parlamentar, sua suposta entrada na legenda teria sido utilizada para garantir ao partido representação no Congresso Nacional, requisito necessário para propor ações de controle concentrado de constitucionalidade no STF.
Araújo informou que acionou a Justiça Eleitoral da Bahia para anular a filiação e pediu ao Supremo que desconsidere a documentação apresentada pelo partido.
Em resposta, João Caldas negou qualquer irregularidade. Em manifestação enviada ao STF, afirmou que foi o próprio deputado quem comunicou oficialmente sua mudança partidária à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, utilizando o e-mail institucional.
O dirigente do DC também sustentou que existem contradições nas declarações de Araújo e defendeu que a ação continue tramitando normalmente.
Enquanto isso, o deputado baiano acusa João Caldas de tentar envolvê-lo em uma disputa política com a família Lira.
Decisão pode ficar para agosto
O processo está sob relatoria da ministra Cármen Lúcia. Como a magistrada está em férias durante o recesso do Supremo Tribunal Federal, a expectativa é que a análise ocorra a partir de agosto.
Caso seja reconhecida urgência, o pedido poderá ser apreciado antes pelo ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo plantão da Corte durante o período.
Independentemente do desfecho jurídico, a iniciativa do presidente nacional do Democracia Cristã já produz efeitos no tabuleiro político alagoano. Ao colocar em xeque a elegibilidade do filho de Arthur Lira, João Caldas aprofunda o desgaste entre os grupos e torna praticamente inviável qualquer aproximação política entre o ex-presidente da Câmara dos Deputados e JHC na corrida pelo Palácio República dos Palmares.

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