
A pressão sobre o ex-prefeito de Maceió e pré-candidato ao Governo de Alagoas, João Henrique Caldas (PSDB), ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (18). Dirigentes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e representantes de sindicatos de servidores municipais levaram à Polícia Federal um relatório sobre os investimentos realizados pelo Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) no Banco Master, operação que envolve R$ 117,9 milhões do patrimônio previdenciário dos servidores da capital.
O ato ocorreu na sede da Polícia Federal, no bairro de Jaraguá, e reuniu lideranças sindicais preocupadas com os possíveis impactos futuros das aplicações financeiras para aposentados e trabalhadores da ativa. A movimentação amplia a pressão por esclarecimentos em torno de um tema que se transformou em um dos principais pontos de desgaste político para a gestão que administrava o município quando os investimentos foram realizados.
Segundo o presidente do Sinteal, Izael Ribeiro, a preocupação ultrapassa os atuais aposentados e alcança milhares de servidores que ainda contribuem para o regime próprio de previdência.
“Sabemos que esse prejuízo não atingirá apenas os aposentados, mas também os que hoje estão na ativa e podem encontrar um cenário ruim no futuro quando se aposentarem. Vamos fazer a luta, cobrar as investigações como está ocorrendo em outros estados”, afirmou.
De acordo com os sindicalistas, as tentativas de obter esclarecimentos sobre as operações não são recentes. Izael afirmou que entidades protocolaram pedidos de informação junto ao Iprev, além de buscar providências junto ao Ministério Público Estadual e ao Ministério Público de Contas.
“Já protocolamos ofício no Iprev solicitando informações e não fomos atendidos, procuramos o Ministério Público Estadual e o Ministério Público de Contas, infelizmente também sem resposta. Por isso estamos aqui na Polícia Federal, pedindo que investiguem onde foi parar o dinheiro dos contribuintes, o dinheiro das aposentadorias do município de Maceió”, declarou.
Com cartazes e bandeiras, os manifestantes realizaram um protesto simbólico e concederam entrevistas à imprensa. O principal questionamento é sobre a segurança dos investimentos realizados com recursos destinados ao pagamento futuro de aposentadorias e pensões dos servidores municipais.
“Quem vai pagar a conta? A conta não pode ser paga pelo contribuinte. Infelizmente esse é mais um problema, além dos outros que enfrentamos diariamente para oferecer um serviço público de qualidade. Os trabalhadores estão vendo o dinheiro que deveria garantir suas aposentadorias ser investido na roda financeira sem nenhuma segurança, sem saber para onde vai, quem autoriza e como é feita a análise de risco”, afirmou o dirigente sindical.
O episódio ocorre em um momento politicamente delicado para JHC. Pré-candidato ao Governo de Alagoas, o ex-prefeito ainda não apresentou uma explicação pública detalhada sobre os critérios que embasaram as aplicações, os estudos de risco realizados ou as medidas adotadas após o surgimento das dúvidas envolvendo o Banco Master.
A ausência de esclarecimentos tem alimentado cobranças de sindicatos, servidores e adversários políticos. Para os críticos, quanto mais o tempo passa sem respostas, maior se torna a necessidade de investigação dos responsáveis pelas decisões que colocaram recursos previdenciários em uma operação hoje cercada por questionamentos.
Até o fechamento desta reportagem, JHC seguia sem responder às cobranças feitas por sindicatos e servidores sobre as aplicações do Iprev no Banco Master. O espaço permanece aberto para eventual manifestação.


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