13/10/2026 17:46:56
Política
Derrotados em Alagoas, Calheiros mantêm posição contrária ao MDB nacional
Enquanto 17 diretórios estaduais da sigla declaram apoio a Flávio, os Calheiros ficam com Lula
Reprodução MDB nacional fecha com Flávio, mas Calheiros contrariam o partido em Alagoas
Todo Segundo

O MDB nacional oficializou, nesta terça-feira (13), o apoio majoritário à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República no segundo turno das eleições. A decisão, anunciada em São Paulo pelo presidente nacional da legenda, Baleia Rossi, expõe uma divisão interna e coloca o grupo dos Calheiros, em Alagoas, na contramão da orientação predominante no partido.

O anúncio foi feito durante um evento no escritório de campanha utilizado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com a presença de lideranças políticas, entre elas o vice-governador Felício Ramuth (MDB) e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB).

Dos 27 diretórios estaduais do MDB, 17 decidiram apoiar Flávio Bolsonaro. As demais unidades terão liberdade para declarar apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou optar pela neutralidade.

A posição da maioria reforça o avanço de uma ala do MDB que se distancia do governo petista e aposta na candidatura do senador do PL para a disputa presidencial.

Em Alagoas, o grupo liderado pelos senadores Renan Calheiros e Renan Filho mantém proximidade política com Lula, contrariando o movimento predominante entre os diretórios estaduais do MDB.

O posicionamento ganha um ingrediente a mais diante do resultado das eleições de 4 de outubro, quando o grupo político dos Calheiros sofreu derrotas importantes no estado. Renan Filho não conseguiu chegar ao governo de Alagoas, enquanto Renan Calheiros perdeu a disputa pela reeleição ao Senado.

A derrota nas urnas enfraqueceu o grupo que, durante anos, exerceu influência decisiva na política alagoana. Agora, a divergência em relação à direção majoritária do MDB nacional acrescenta um novo capítulo ao cenário de isolamento político dos Calheiros.

A decisão do MDB nacional não obriga todos os diretórios a seguirem o mesmo caminho. Ainda assim, a escolha de 17 das 27 unidades estaduais por Flávio Bolsonaro evidencia que a maioria da legenda tomou um rumo diferente daquele defendido pelo grupo alagoano.

No segundo turno presidencial, a disputa também passa a funcionar como um teste de força para lideranças regionais. Em Alagoas, os Calheiros terão de administrar as consequências de uma derrota eleitoral recente enquanto mantêm sua aposta política em Lula, apesar da guinada majoritária do próprio partido.

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