
Não é uma raridade.
O Brasil não chega para a Copa do Mundo de 2026 como franco favorito ao título.
Alguns fatores contribuem para este cenário: o ciclo jogado no lixo pela CBF, trocas de treinadores, um time em construção, pouco tempo de trabalho do atual técnico e busca por uma melhor forma de jogar. Fazendo o comparativo como outras seleções - França, Espanha, Argentina, Portugal, Uruguai, Alemanha -, a nossa está num estágio inferior.
Mas não se engane, esta conjuntura não é exclusiva do atual momento. Em apenas duas oportunidades o Brasil chegou favorito e conseguiu ser campeão (1962 e 1970).
Nossa Seleção é a única a participar de todas (1930-2026) as 23 edições da Copa do Mundo. No entanto, o melhor desempenho, um 3° lugar, só aconteceu em 1938, antes do início da Segunda Guerra Mundial.
Em 1950, veio a primeira grande decepção: o Maracanazo, aquele título perdido para o Uruguai com gol do carrasco Ghiggia. Naquele momento, nosos time ainda não era uma grande potência.
Teve o pós-trauma em 1954 e o primeiro título, após muita desconfiança, em 1958. Campanha que apresentara Pelé para o Mundo. Em 1962, a primeira vez como o grande favorito, veio o título para confirmar e reafirmar o que já se esperava.
Quando o favoritismo bateu no teto mais alto, em 1966, um fiasco, eliminação na fase de grupos. Na Copa de 1970, o mundo viu uma dos melhores times da história. O 'Esquadrão' cheio de craques jogou para longe toda a descrença, incerteza e temor de problemas extra-campo comprovando o favoritismo.
Na Copa de 1974, o favoritismo aparecia novamente, mas a taça não; um 4° lugar. Posteriormente, em 1982, um dos maiores times do mundo, considerado por vários o melhor já visto em Mundiais, também não conseguiu trasformar o favoritismo em título.
Os 24 anos de seca passaram e chegava 1994. Um dos piores ciclos de Copa que o Brasil já havia feito, mas no fim, a taça ficaria com a Seleção. Na França, em 1998, mais favoristismo e um vice para os donos da casa numa final que o 3 a 0 tornou-se pouco pelo desempenho apresentado.
Em 2002, a pior campanha em Eliminatórias. Vaga garantida na última rodada, após um ciclo tão ruim quanto o atual. Porém, no fim, nascia a 'Família Scolari'.
Do último título até os dias de hoje, o Brasil teve times estrelado, campanhas na fase de classificação impecáveis (ciclos de Dunga e Tite), mas nenhum troféu desde a edição Coreia/Japão. Foi assim em 2006, 2014 (como donos da casa), 2018 e 2022.
Então, percebam a subjetividade de chegar como favorito ou não em Copas. Em alguns momentos, tudo aquilo que foi feito de forma errada, tronxa e desajeitada deu certo. E quando tudo parecia andar nos trilhos, no fim, o trem descarrilhou.
Sabe por quê?
A Copa do Mundo tem suas peculiaridades e particularidades. É um torneio de tiro curto, por vezes vai premiar o melhor time no 'papel', mas na prática pode coroar quem teve a melhor performance nos aspectos regularidade, eficiência e, sobretudo, competência.
Toda a história que contei neste texto demonstra que o Brasil já esteve dentro de todas estas condições e estado.
E talvez, pelo atual contexto, é bom que a Seleção chgue sem nenhum grande status.

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