
Na política, às vezes a imagem vale mais do que mil discursos. E a imagem desta terça-feira (25), em Maceió, foi bastante simbólica: Flávio Bolsonaro desembarcou em Alagoas, declarou JHC como seu candidato ao governo do Estado e, mesmo assim, o ex-prefeito não apareceu para recebê-lo.
Flávio foi recebido no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares por Alfredo Gaspar e aliados. JHC, que segundo o próprio presidenciável será seu candidato ao governo e fará seu palanque em Alagoas, ficou fora da recepção.
E aí está o ponto político da história.
“Meu candidato ao governo de Alagoas é JHC. É um palanque importante e ele vai estar com a gente na campanha. Fizemos essa composição”, afirmou Flávio.
Mais claro, impossível.
Flávio já escolheu seu lado. JHC, pelo menos publicamente, continua evitando escolher o dele na disputa presidencial.
O muro ficou ainda mais visível
JHC tenta preservar a posição de neutralidade entre os grupos que disputam a Presidência. A estratégia pode até fazer sentido do ponto de vista eleitoral: manter portas abertas, conversar com diferentes setores e evitar o desgaste de uma declaração antecipada.
Mas há momentos em que a política exige imagem, presença e gesto.
E Flávio Bolsonaro esteve em Maceió justamente para mostrar força política. Foi recebido por Alfredo Gaspar e por apoiadores, falou sobre a eleição e declarou publicamente que JHC estará em seu palanque.
O detalhe é que o próprio JHC não estava lá.
Não se trata apenas de uma ausência protocolar. Em política, principalmente em ano eleitoral, quem recebe quem, quem aparece ao lado de quem e quem prefere não aparecer também comunica.
Flávio fala em aliança; JHC mantém distância
Enquanto Flávio trata a composição como algo definido, JHC mantém sua estratégia de não assumir publicamente uma posição na eleição presidencial.
O presidenciável, porém, já colocou o tucano dentro do seu projeto.
E isso cria uma situação curiosa: Flávio diz que JHC será seu palanque em Alagoas, mas JHC ainda não fez questão de aparecer no palanque de Flávio.
É o famoso equilíbrio político de quem tenta ficar com um pé de cada lado.
Até quando?
A questão agora é quanto tempo essa estratégia será sustentável.
A campanha de 2026 vai exigir escolhas cada vez mais claras. Candidatos a governador precisarão definir alianças, pedir votos e mostrar ao eleitor quem são seus parceiros na disputa nacional.
Flávio Bolsonaro já deixou sua posição evidente. Escolheu JHC para a disputa pelo governo de Alagoas e afirmou que contará com o tucano em seu palanque.
JHC, por enquanto, prefere o silêncio e a distância.
Mas, ao não receber Flávio, o ex-prefeito também acabou produzindo uma imagem política: a de quem continua em cima do muro.
E em uma eleição que promete ser marcada pela polarização nacional, talvez o maior desafio de JHC seja justamente descobrir até quando será possível permanecer sentado no muro sem precisar escolher para que lado vai descer.

E-mail: portaltodosegundo@hotmail.com
Telefone: 3420-1621