27/06/2026 12:10:25
Coisa da Política
JHC corre o risco de perder a eleição antes mesmo da campanha começar
Terceira força pode decidir a eleição em Alagoas e colocar Renan Filho em vantagem
ReproduçãoJHC pode abrir caminho para Renan Filho ao dividir a oposição em Alagoas

A sucessão estadual em Alagoas pode estar caminhando para um cenário completamente diferente daquele imaginado há poucos meses. O que parecia uma disputa polarizada entre Renan Filho e JHC pode ganhar um novo ingrediente: o surgimento de uma terceira força competitiva. Se isso ocorrer, a consequência política tende a ser clara: quem mais perde é JHC; quem mais ganha é Renan Filho.

O motivo é simples. Enquanto Renan Filho amplia seu arco de alianças, reunindo prefeitos, deputados, partidos e lideranças regionais em torno de seu projeto político, JHC sinaliza seguir uma estratégia oposta. Seu discurso de independência, resumido no slogan "JHC do povo", transmite a ideia de uma candidatura sustentada prioritariamente pelo apoio popular.

A estratégia pode ser atraente para parte do eleitorado, mas eleições estaduais dificilmente são vencidas apenas com carisma e boa aprovação. Governador se elege com votos, mas também com estrutura, capilaridade, alianças e presença política em todas as regiões do Estado.

Se JHC insistir em uma candidatura construída quase exclusivamente sobre sua popularidade, relegando a um papel secundário aliados de peso como Alfredo Gaspar, Arthur Lira, Max Beltrão e Fábio Costa, assumirá um risco político considerável. Em uma eleição para o Governo do Estado, a força das urnas costuma caminhar lado a lado com a força das alianças. Abrir mão de lideranças com influência regional significa reduzir a capilaridade da campanha, perder espaço nos municípios, enfraquecer a mobilização eleitoral e chegar ao pleito com uma estrutura inferior à de seus principais adversários.

É justamente nesse contexto que uma terceira candidatura ganha importância estratégica.

Uma nova força política dificilmente retiraria votos do núcleo mais fiel de Renan Filho, consolidado por uma ampla base partidária e institucional. Em compensação, disputaria exatamente o eleitor que hoje vê em JHC a principal alternativa ao grupo governista. Ou seja, dividiria o campo oposicionista.

A matemática eleitoral é implacável. Quanto mais candidatos competitivos ocuparem o mesmo espaço político, menor será a votação individual de cada um deles. Quem chega unido costuma levar vantagem sobre quem disputa um eleitorado fragmentado.

Renan Filho parece compreender essa lógica. Enquanto seus adversários discutem protagonismo, ele trabalha para ampliar sua coalizão política, fortalecendo uma estrutura que reúne o Governo do Estado, a maioria das prefeituras, parlamentares e lideranças municipais. Em uma disputa pulverizada, esse ativo pode fazer toda a diferença.

Há ainda outro aspecto que merece atenção. Caso JHC deixe de aproveitar o potencial eleitoral de nomes como Alfredo Gaspar, Arthur Lira, Max Beltrão e Fábio Costa, poderá desperdiçar um patrimônio político importante justamente no momento em que mais precisará ampliar sua presença no interior. Não se trata apenas de apoio formal. Trata-se de tempo de campanha, mobilização regional, influência local e capacidade de transferência de votos.

A comparação feita por alguns observadores com Fernando Collor também merece cautela. Em 1986, Collor rompeu com seu grupo político e venceu apostando no discurso contra as "forças do atraso". Mas o contexto era completamente diferente. Hoje, as eleições são muito mais dependentes da formação de alianças, da articulação regional e da construção de uma ampla rede política.

No fim, a eleição de 2026 pode não ser decidida apenas pela força dos candidatos, mas pela capacidade de cada um de construir convergências. Se a oposição chegar dividida entre duas ou três candidaturas competitivas, Renan Filho poderá colher os frutos dessa fragmentação sem precisar vencer o debate político; bastará manter unido o seu grupo enquanto os adversários disputam o mesmo eleitor.

Na política, muitas vezes a vitória não pertence ao candidato que mais cresce, mas àquele que observa seus adversários dividirem o mesmo espaço eleitoral. Se uma terceira força realmente entrar na disputa pelo Governo de Alagoas, esse pode ser exatamente o roteiro da sucessão estadual.

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