
A pré-campanha de JHC para o Governo de Alagoas começa a ganhar corpo com uma estratégia cada vez mais evidente: sair dos limites de Maceió e buscar espaço no interior do Estado. Filiado ao PSDB, o ex-prefeito da capital tem ampliado a agenda política, participado de encontros, visitado municípios e construído uma narrativa de que sua experiência administrativa pode ser ampliada para todo o território alagoano.
O movimento lembra um episódio marcante da política estadual: a campanha de João Lyra ao Governo de Alagoas, em 2006. Naquele ano, Lyra chegou à disputa cercado de expectativa, apostando em sua trajetória empresarial, na imagem de gestor e em um discurso de renovação política.
O clima entre seus aliados era de confiança. A campanha transmitia a impressão de que a vitória estava encaminhada e que o favoritismo seria confirmado nas urnas. Mas a eleição mostrou que a política costuma contrariar previsões.
João Lyra acabou derrotado ainda no primeiro turno por Teotonio Vilela Filho, que venceu aquela disputa e assumiu o comando do Governo de Alagoas. O resultado entrou para a história como um exemplo de que entusiasmo, estrutura e expectativa de vitória não substituem a conquista efetiva do voto.
A lembrança de 2006 funciona como um alerta para qualquer projeto político que começa a crescer antes da hora. JHC possui ativos importantes: a força da capital, um marketing eficiente, presença nas redes sociais e a tentativa de apresentar sua gestão como modelo para o Estado.
A movimentação chama atenção pelo estilo adotado. Ao som da música “Que Calor É Esse”, na melodia do cantor baiano Bell Marques, a pré-campanha tenta ganhar uma identidade própria, associando a presença nas ruas a uma imagem de entusiasmo, proximidade popular e mobilização política.
A própria construção da pré-campanha segue uma lógica de criar identificação popular. A utilização da música “Que Calor É Esse”, do cantor baiano Bell Marques, em agendas políticas reforça uma estratégia de marketing que busca associar movimento, entusiasmo e proximidade com o eleitor.
Mas uma eleição para governador exige muito mais do que visibilidade. O interior de Alagoas tem papel decisivo, e o candidato precisa construir alianças, dialogar com diferentes regiões e apresentar respostas para problemas que vão além da realidade de Maceió.
Em política, o barulho ajuda a chamar atenção, a comunicação ajuda a construir imagem, mas são as urnas que definem o resultado.

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