20/09/2026 22:50:49
Djalma Lyma
A matemática da reeleição: quatro presidentes, cinco números e um cenário
Lula está abaixo do número que marcou vitórias anteriores
DivulgaçãoReeleição: Lula está abaixo do número que marcou vitórias anteriores

Existe uma velha regra da política eleitoral: quem está no poder começa a eleição com uma vantagem — mas também carrega para as urnas a avaliação do próprio governo.

É por isso que a reeleição de Lula em 2026 não pode ser analisada apenas pelo tamanho de sua base eleitoral ou pela força histórica do lulismo. É preciso olhar para os números.

E eles contam uma história importante.

Nos últimos ciclos de reeleição presidencial, existe um dado que chama atenção: a avaliação positiva do governo, medida pela soma de “ótimo” e “bom”, estava acima ou próxima dos 40% em diferentes levantamentos.

Fernando Henrique Cardoso chegou à disputa pela reeleição com 43% de avaliação ótima ou boa.

Foi reeleito.

Lula chegou à sua tentativa de reeleição com 53% de ótimo ou bom.

Foi reeleito.

Dilma Rousseff tinha 45% de avaliação positiva.

Foi reeleita.

Em 2022, Jair Bolsonaro apresentava 38% de ótimo ou bom em levantamento citado na comparação.

Não foi reeleito.

Agora, chegamos a 2026.

Lula aparece com 34% de ótimo ou bom.

A diferença chama atenção.

Nos exemplos anteriores, os presidentes que conseguiram a reeleição estavam acima dos 40% nesse indicador.

Bolsonaro ficou abaixo dessa marca e não conseguiu a reeleição.

Agora, Lula também aparece abaixo dos 40%.

A conta, portanto, é simples:

FHC: 43% → reeleito

Lula: 53% → reeleito

Dilma: 45% → reeleita

Bolsonaro: 38% → não reeleito

Lula 2026: 34% → eleição pela frente

É claro que uma estatística histórica não determina o resultado de uma eleição.

Mas ela mostra um padrão que merece ser observado.

E o número atual de Lula está abaixo da marca de 40% utilizada nessa comparação.

Mais do que isso: segundo a última pesquisa Datafolha, 42% avaliam o governo como ruim ou péssimo, enquanto 34% classificam a administração como ótima ou boa.

São 8 pontos de diferença entre a avaliação negativa e a positiva.

A matemática, portanto, está colocada.

Nos últimos exemplos de presidentes que buscaram a reeleição, quem ultrapassou a marca dos 40% de ótimo/bom conseguiu permanecer no cargo. Quem ficou abaixo dela não conseguiu.

Agora Lula está em 34%.

Será que a história vai se repetir?

Essa resposta não está na pesquisa.

Está na urna.

Mas, antes de outubro, existe um número que chama atenção:

34%.

E, em uma eleição de reeleição, números também contam uma história.

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