
Há eleições em que o eleitor escolhe. E há eleições em que o eleitor também demonstra o que sente. A de 2026 chega ao primeiro turno, neste domingo (4), cercada por um sentimento que talvez seja tão importante quanto a preferência por este ou aquele candidato: o cansaço.
Cansaço de promessas repetidas, de discursos que mudam conforme a conveniência, de escândalos que ocupam as manchetes e, pouco tempo depois, parecem esquecidos. Cansaço de uma política que muitas vezes parece distante dos problemas concretos de quem acorda cedo, enfrenta dificuldades e espera respostas que nem sempre chegam.
E quando o eleitor se cansa, existe uma consequência que não aparece nas pesquisas de intenção de voto: a possibilidade de simplesmente não participar.
A abstenção pode ser uma das personagens silenciosas desta eleição. Não significa necessariamente apoio ou rejeição a determinado candidato. Pode representar desinteresse, descrença, frustração ou a percepção de que nenhum dos nomes apresentados é capaz de despertar entusiasmo.
É aí que está uma das questões mais importantes deste domingo.
Uma eleição não é decidida apenas por quem consegue conquistar votos. Também pode ser profundamente influenciada por quem decide não votar.
O eleitor desiludido não precisa fazer barulho. Não precisa organizar protesto, publicar crítica nas redes sociais ou declarar voto em branco. Basta não sair de casa.
E talvez esse seja um dos maiores sinais de desgaste de uma democracia: quando parte da população deixa de acreditar que sua participação fará diferença.
Porque o silêncio também produz um resultado. E, neste domingo, talvez a pergunta mais importante não seja apenas quem o eleitor vai escolher, mas quantos ainda estarão dispostos a escolher.
Porque o voto pode até ser obrigatório. Mas a confiança na política não se decreta. Conquista-se.

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