
Há derrotas eleitorais que elegem adversários. E há derrotas que mudam uma era.
Durante 32 anos, Renan Calheiros construiu no Senado uma das trajetórias políticas mais longas do país. Ao longo desse período, ocupou posições de destaque na política nacional, incluindo a Presidência do Senado e o Ministério da Justiça.
Agora, a fotografia política mudou.
Renan Calheiros não conseguiu renovar o mandato para o Senado. No mesmo processo eleitoral, seu filho, Renan Filho, também não foi eleito para continuar à frente do Governo de Alagoas.
Duas derrotas. Uma mesma família política. Um novo cenário.
O resultado não apaga a trajetória de Renan, nem significa o desaparecimento de sua influência política. Mas encerra um ciclo institucional de 32 anos no Senado e retira do grupo uma das principais posições de poder que sustentaram sua atuação política durante décadas.
É nesse sentido que a expressão “o ego acabou” pode ser entendida apenas como uma metáfora política.
Não sobre a personalidade de Renan, mas sobre a mudança de posição provocada pelas urnas.
Durante décadas, o senador esteve sentado em uma das cadeiras mais importantes da República. A partir de 2027, essa cadeira terá outro ocupante.
A urna não negocia com biografias.
E o resultado de 2026 mostrou que nenhum mandato é permanente.
Também será necessário observar os próximos movimentos.
A relação política entre os Calheiros e o presidente Lula atravessa diferentes momentos da política nacional. Renan Filho chegou a comandar o Ministério dos Transportes durante o atual governo federal.
Caso Lula permaneça no Palácio do Planalto, novas articulações políticas poderão surgir. Entre elas, poderia estar a possibilidade de Renan assumir uma função no Executivo federal.
Mas isso, neste momento, é apenas uma hipótese política, não uma decisão anunciada.
Da mesma forma, uma eventual mudança no comando do governo federal alteraria completamente o ambiente de Brasília e, consequentemente, as possibilidades de reorganização política do grupo.
O fato concreto, porém, já está posto pelas urnas:
Renan perdeu o Senado. Renan Filho perdeu o governo de Alagoas.
Depois de 32 anos, o ex-senador terá de construir seu próximo capítulo fora da cadeira que ocupou por mais de três décadas.
Não é o fim de uma carreira política.
É o fim de um ciclo.
E talvez seja justamente essa a maior mensagem deixada pela eleição de 2026:
o poder muda de mãos, as cadeiras mudam de ocupantes e nenhuma estrutura política está acima da decisão das urnas.
Para Renan, a partir de agora, começa uma nova etapa.
E, na linguagem provocativa da política, talvez seja possível dizer que o “ego” não desapareceu — apenas deixou de ter uma cadeira no Senado para sustentá-lo.

E-mail: portaltodosegundo@hotmail.com
Telefone: 3420-1621