
Opinião - O STF parece ter cometido o pior dos suicídios institucionais: consumir a própria credibilidade enquanto se protege atrás da toga, do poder e de uma conveniente cortina de fumaça. O problema já não é apenas o que está nos autos, mas aquilo que a sociedade passou a enxergar por trás deles.
O 15 de setembro ficará para a história como o dia em que o STF precisará encarar o próprio espelho — sem cortina de fumaça e sem a toga como escudo.
Os questionamentos que envolvem mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao banqueiro Daniel Vorcaro, são elementos que precisam ser esclarecidos, não transformados em condenação antecipada — mas também não podem simplesmente desaparecer atrás da toga.
Porque a toga não absolve, não condena e não deveria servir de escudo para perguntas legítimas.
O STF pode arquivar uma investigação. Pode encerrar um processo. Pode até decretar que juridicamente não há mais o que apurar.
Só não pode decretar o fim da desconfiança.
Se ainda existe algo a salvar, não será com mais fumaça, mais discursos ou mais força institucional.
Será com transparência.
Porque o “suicídio” é apenas a metáfora. O cadáver que está sendo velado é a confiança.
E confiança enterrada não se recupera com toga, poder ou decreto.

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