
O PODER DE AGIR
Ágata de Almeida

A gente passa a vida toda planejando, planejando as melhores condições para agir, e não percebe que o que realmente muda é o desconforto, é o esforço, é a ação. Nada adianta se você não agir. Decisões mudam destinos. Então, para mudar a sua vida, você realmente precisa fazer alguma coisa. Você precisa renunciar. É necessário se lançar na vida.
Isso me faz pensar no livro “A coragem de ser imperfeito”, de Brené Brown. A gente precisa compreender que não existe “ser perfeito” na nossa realidade humana. Para abraçar quem realmente somos e viver de forma mais leve e real, é necessário abraçar a imperfeição e aprender a lidar com a incerteza, o risco, a exposição e o julgamento. Fugir disso impede que alcancemos nosso verdadeiro potencial. A imperfeição abre portas para vivências mais significativas, e ter com quem contar torna o caminho mais confiante e leve.
Pequenas decisões têm o poder de transformar uma vida inteira. Por isso, vejo tanta importância em registrar, planejar e monitorar nossa rotina diária. Isso me faz refletir sobre a importância de sonhar e planejar, porém não adianta ter palavras sem ação.
Quanto mais eu registro, mais eu me conheço. O que antes parecia apenas uma situação começa a virar padrão. Viver sem registro é viver muito na intuição, que até pode dar certo, mas tem um tempo de validade muito curto. Quando eu registro, começo a enxergar o que estou fazendo, o que estou repetindo e o que precisa ser mudado.
Nosso cérebro sempre quer poupar energia e fazer tudo no automático. Porém, sem coisa nova, ele não aprende. Por isso, a gente só cresce e melhora quando se lança no mundo, quando se lança nos desafios.
Isso também me fez lembrar do livro que estou lendo, “Mais rápido e melhor”, de Charles Duhigg, que fala sobre a importância dos planejamentos de curto, médio e longo prazo. Ele usa o jogo de pôquer como exemplo: no pôquer, a gente não joga apenas a rodada da vez; precisa pensar nas próximas jogadas. Na vida é igual. Por mais que a gente não tenha certeza do futuro, precisa pensar além do momento presente.
Por isso, a importância do registro e do monitoramento. Se a gente não se planeja e não se monitora, pode acontecer de esquecer e repetir o mesmo erro. Já com a anotação, a gente enxerga o padrão e assume a responsabilidade.
Quando tomamos consciência disso, nos tornamos mais produtivos. E gente produtiva não toma decisões melhores porque é mais inteligente. Toma decisões melhores porque cria sistemas para enxergar a realidade como ela é, e não como gostaria que fosse. É projetar a vida considerando as possibilidades: o que pode e o que não pode acontecer.
No fim, registro gera memória. Memória gera consciência. E consciência ajuda a evitar o automático.
Planejar é importante. Sonhar é necessário. Mas nada muda se não houver ação.

Ágata de Almeida
Psicóloga
Integrante do Grupo de Estudos "Discussões Literárias, Fortalecendo Amizades"

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