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Valdenice Guimarães

Sobre o autor

Valdenice Barboza Guimarães; Historiadora Psicóloga Clínica Comportamental. Membro fundadora do Instituto de Análise do Comportamento – IAC. Pós-graduada em Teorias e Técnicas Comportamentais: Educação, Pesquisa e Terapia.
Postada em 15/10/2018 09:54 | Atualizada em 15/10/2018 09:56
A difícil arte de educar as crianças

Tenho ouvido relatos de muitos pais, da dificuldade que têm no processo formativo dos filhos. Segundo eles, por mais que tentem ensinar, aconselhar e mostrar o melhor caminho, percebem que essas estratégias, muitas vezes, não funcionam.

Por que não funcionam? Eu lhes pergunto.

- Porque não estamos conseguindo que nossos filhos compreendam a importância de seguir regras, de serem organizados na realização das suas atividades diárias e também disciplinados em relação aos estudos.

É compreensível essa angústia narrada pelos pais. Porém, observo que eles, muitas vezes, apontam o erro e corrigem de maneira áspera quando seus filhos não realizam as tarefas de acordo com o que eles entendem como certo.

É necessário lembrar, que no início da vida, a criança é muito dependente e que, para se desenvolver, precisa passar por um processo de aprendizagem. Ela tem, por exemplo, que aprender a comer, sentar, engatinhar, andar, falar, etc. Todos esses comportamentos são muito complexos e, cada indivíduo precisa de muita estimulação. No processo de ensinar disciplina, seguir regras e ser organizado, não é diferente.

Geralmente, os pais costumam observar com maior facilidade, o comportamento inadequado do filho. Nesse momento, tendem a aplicar um castigo ou repreender pelo erro cometido.

A Psicologia Comportamental ressalta que, em princípio, qualquer indivíduo é capaz de aprender, mesmo aqueles que apresentam limitações ou deficiências. Mas, para que isso aconteça é essencial valorizar e recompensar os avanços dos filhos.

Compreendemos que a criança precisa de um incentivo para aprender a se comportar bem e também para continuar se comportando de modo adequado.

Portanto, quando uma criança está aprendendo uma nova habilidade, é necessário receber um estímulo e uma valorização contingencial ao comportamento emitido.

Para Gérson Alves da Silva Júnior, o maior expoente da Análise do Comportamento de Alagoas, somos aquilo que fomos estimulados a ser.

À medida que os pais estimulam a criança, a tendência é que ela aprenda a prestar atenção, favorecendo o aprendizado, tanto na realização da rotina diária, como na obediência às regras e limites.

Exemplificando:

Pedro, ao levantar pela manhã, forra a sua cama, e, em seguida vai escovar os dentes. A mãe percebe que a cama não ficou bem forrada, como ela gostaria. Mas, para estimular o filho a continuar forrando e se aprimorando nessa tarefa, ela reforça o filho com alegria, inclusive dizendo do orgulho que está sentindo por ele ter ido escovar os dentes, sem necessitar que ela lembre.

O que seria reforço? E qual a sua importância na aplicabilidade do comportamento?

Reforço, acontece sempre que algo é apresentado e em consequência desta apresentação, há uma grande probabilidade desse comportamento voltar a ocorrer.

No caso do Pedro, os pais aplicaram o reforço de beijar e de elogiar.

Perceber o que os filhos fazem de bom, é uma tarefa que exige muito treino e paciência dos pais para ensinar, mesmo quando o comportamento a ser ensinado é o de estabelecer regras e disciplina.

De acordo com Burrhus Frederic Skinner, ensinar é simplesmente o arranjo de contingências de reforçamento. Neste sentido, os pais são os maiores responsáveis.

Segundo Mauro Pennafort, o ser humano aprende por repetição.
Quanto mais vezes recebemos o mesmo conteúdo e de diferentes formas, mais probabilidade temos de aprender.

Para estabelecer regras, inicialmente, os pais precisam elencar quais as regras a serem seguidas, para facilitar o estabelecimento e cumprimento das mesmas. Sendo assim, é importante que seja elaborada uma rotina com horários das principais atividades das crianças. Por exemplo, horário de acordar, tomar café, tomar banho, ir à escola, almoçar, fazer tarefas escolares, brincar, assistir televisão, dormir, etc.

Um adendo importante:
Os pais precisam mostrar às crianças que também seguem regras, como o horário de trabalhar e execução das tarefas domésticas.

É importante preservar a autoridade e harmonia entre pais e filhos e, por isso, deve-se evitar confrontos desnecessários. Quando uma regra for quebrada, uma punição pode ser aplicada, para o filho entender que as suas ações terão diferentes consequências.

Como ensinar a criança a se comportar adequadamente?
Entendemos que para isso, os pais devem ser modelos de consistência e coerência, entre o que falam e o que fazem.

Elogiar quando a criança emitir um comportamento adequado e monitorar suas ações ao executar as atividades é essencial.

Desse modo, é possível auxiliar o filho quando ele tiver algum tipo de dificuldade.

Finalizo com uma citação de Gérson Alves da Silva Júnior, quando afirma que os filhos sempre foram péssimos em nos ouvir, mas sempre foram excelentes em nos imitar.

Portanto, seja modelo, valorize cada avanço e cada conquista do seu filho!!!

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