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Valdenice Guimarães

Sobre o autor

Valdenice Barboza Guimarães; Historiadora Psicóloga Clínica Comportamental. Membro fundadora do Instituto de Análise do Comportamento – IAC. Pós-graduada em Teorias e Técnicas Comportamentais: Educação, Pesquisa e Terapia.
Postada em 10/07/2018 12:22
Brasil: país do futebol. Será?

Historiadores encontraram vestígios de jogos utilizando a bola em sociedade da antiguidade.

Na China Antiga, por volta de 3.000 a. C., os soldados utilizavam a cabeça dos soldados inimigos como bola, o objetivo do jogo era passar de pé em pé sem deixar cair no chão até coloca-la dentro de duas estacas pregadas no chão.

No Japão antigo, havia um esporte chamado de Kemari, muito semelhante ao futebol atual. A bola era feita de fibras de bambu. O jogo tinha como regra a proibição do contato físico.

Na Grécia e em Roma, praticavam um jogo chamado de Episkiros, também muito semelhante ao futebol. A bola utilizada era feita de bexiga de boi cheia de areia ou terra. Os romanos após dominar a Grécia, conheceram esse jogo e passaram a praticá-lo. Porém, os romanos praticavam com muita agressividade. No jogo era permitido socos, pontapés e muitos golpes violentos. A violência era tamanha que durante a partida, aconteciam mortes. Por conta disso, o rei Eduardo II, decretou à época, uma lei proibindo a prática de tal atividade esportiva.

Por volta do século XVII, o futebol começou a ser praticado na Inglaterra. Lá o jogo ganhou regras, foi organizado e sistematizado. A bola era feita de couro e enchida com ar. Essa atividade esportiva era praticada pelos filhos da nobreza e por estudantes.

Como iniciou a prática do futebol no Brasil?

Um brasileiro chamado de Charles Miller, viajou para estudar na Inglaterra. Lá conheceu o futebol, gostou e ao retornar ao Brasil, trouxe uma bola de futebol e um conjunto de regras. O futebol foi sendo divulgado, praticado e popularizado.

O que auxiliou para o futebol se tornar tão popular no Brasil?

A bola é utilizada como instrumento lúdico nas brincadeiras infantis. Desde cedo as crianças brincam com bola e são reforçadas pelo ambiente no qual estão inseridas, como: família, amigos e escola.

Os analistas do comportamento compreendem que brincar é modelar comportamento. Portanto, esse “brincar”, aumenta a sua probabilidade de se manter. Além disso, o futebol é um jogo de baixo custo o que favorece à sua prática por uma quantidade maior de pessoas. Como atividade coletiva, há um reforço contingencial entre os jogadores e entre os jogadores e a torcida.

Outros pontos importantes para a manutenção do futebol: jogadores de sucesso servem de modelos para as crianças; desde o time de base, há um grande investimento econômico; a mídia como responsável pela divulgação e popularização do futebol e a tecnologia como suporte na formação de jogadores de alto nível.

Sendo assim, quais as características de um craque de futebol?

Alguns estudiosos destacam: agilidade visual, que é a capacidade de escolher o companheiro melhor colocado para receber o passe; a memória, pois lembrar facilita o desenvolvimento de um grande repertório de jogadas, para montar o cenário da jogada e partir para a ação. Atletas de elite são eficazes na maneira de armazenar e acessar as informações necessárias e, por último a capacidade de antecipação, o que aumenta sua habilidade de tomar uma decisão apropriada no menor tempo possível. Prever a jogada do adversário e se colocar à frente tanto para fazer a melhor jogada, como para anular o passe do adversário é imprescindível para se alcançar o objetivo que é a vitória. Portanto, a capacidade de antecipação é decisiva nos esportes coletivos.

Atualmente, estamos vivenciando um campeonato de alto nível competitivo, a “Copa do Mundo”. Aspectos psicológicos como planejamento, desconforto, persistência, controle emocional para lidar com as pressões impostas por bons resultados e a cooperação entre os jogadores são elementos que precisam ser trabalhados. Jogadores de elite se fazem com muita disciplina e treinamento.

Do ponto de vista neurológico, à medida que o jogador treina o cérebro, vai se especializando. Com isso, ocorre o fortalecimento de neurônios específicos para essa atividade e o desenvolvimento de novas conexões cerebrais.

O que acontece com o cérebro do torcedor?

No Brasil, o futebol é conhecido como “paixão nacional”. A paixão é algo avassalador e euforizante. Sentimos paixão por pessoas e também quando ganhamos algo que gostamos ou quando compramos um carro ou uma casa nova, quando ganhamos um prêmio ou conseguimos um emprego e também por times de futebol.

Durante uma partida de futebol, há uma oscilação de momentos felizes, de atenção e de ansiedade máxima.

Numa situação de vitória, as pessoas são premiadas, nesse momento há uma grande produção da dopamina, hormônio responsável pelo prazer e empolgação. Essa explosão de dopamina deixa o cérebro super alerta e é responsável pelos movimentos de motricidade. Observamos tanto nos jogadores como nos torcedores, quando o cérebro é inundado de dopamina, a perda da coordenação motora, eles fazem movimentos frenéticos com os braços, os pés, a cabeça, algumas vezes, o corpo todo.

A dopamina ativa áreas de recompensa do cérebro, o núcleo accumbens, estrutura localizada no Sistema Límbico e faz com que as pessoas fiquem felizes e eufóricas.

A área emocional do cérebro, o Sistema Límbico libera adrenalina através da amigdala e do córtex pré-frontal que faz o sujeito ficar focado. A respiração fica um pouco mais curta, o coração acelera e a pressão arterial aumenta. Além de liberar adrenalina, há também a produção do cortisol, liberado pela glândula supra-renal, fazendo com que o sujeito experiencie um momento de estresse.

Há uma correlação nesse período de jogo, envolvendo a população e um momento de muita expectativa e o aumento da taxa de infarto de até 4% a 8%, por conta da liberação maior dos hormônios adrenalina e cortisol, especialmente entre aquelas pessoas mais envolvidas emocionalmente.

Durante a “Copa do Mundo”, os brasileiros experienciaram esses dois momentos. Inicialmente, com momentos de felicidade devido à vitória nas partidas, favorecia a liberação da dopamina e, com a desclassificação do Brasil, a produção do cortisol entra em ação.

O sentimento produzido foi de tristeza, frustração, desilusão e fracasso.

Alguns segmentos da mídia tiveram um papel fundamental nesse processo, por ter hiper- valorizado a seleção brasileira, especialmente alguns jogadores, os colocando como salvadores da pátria e criando uma expectativa, ou melhor, dando à população a certeza do Brasil ser campeão, pois, segundo eles o time estava pronto e era o melhor, às vezes menosprezando a competência das outras seleções.

Sendo assim, deixo a reflexão.

Será mesmo que o Brasil é um país do futebol, ou o futebol é utilizado como elemento para apaziguar o povo, dando-lhe divertimento para desviar a atenção do povo de assuntos mais importantes?

Sonhamos com a taça e com o título.

Não há muitos problemas em sonhar, porém, em algum momento a realidade bate à porta nua e crua e como sempre acordamos.

Brasileiros, bem-vindos à vida real!!!

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