Dólar hoje 5,292
25° C em Arapiraca, AL Parcialmente nublado
Polícia
Postada em 10/08/2026 10:00 | Atualizada em 11/08/2026 15:02 | Por Todo Segundo

PF bate à porta do Iprev em meio ao caso dos R$ 117 milhões do Master

Diligência ocorre após denúncias sobre investimentos feitos durante a gestão do ex-prefeito JHC
PF faz diligência no Iprev de Maceió em meio a caso dos R$ 117 milhões no Banco Master - Foto: Reprodução

A Polícia Federal realizou, na manhã desta segunda-feira (10), uma diligência na sede do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev), em meio às denúncias envolvendo aplicações que somam cerca de R$ 117 milhões em títulos do Banco Master.

A natureza da ação ainda não foi detalhada oficialmente. Até o momento, a PF também não confirmou se a presença dos agentes no instituto está diretamente relacionada aos investimentos realizados no banco.

O episódio coloca novamente sob os holofotes a gestão dos recursos previdenciários dos servidores municipais de Maceió. As aplicações questionadas foram realizadas durante a administração do ex-prefeito JHC (PSDB).

De acordo com as informações sobre o caso, o Iprev aprovou, em dezembro de 2023, uma aplicação de R$ 80 milhões em letras financeiras do Banco Master. Uma nova aquisição foi realizada em maio de 2024, fazendo com que o montante destinado à instituição financeira chegasse a aproximadamente R$ 117 milhões.

Os títulos adquiridos não possuem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que aumentou a preocupação em torno da recuperação dos recursos após a crise enfrentada pelo banco.

Em novembro de 2025, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master, citando grave crise de liquidez, comprometimento da situação econômico-financeira e violações às normas do Sistema Financeiro Nacional.

Com a liquidação, o Iprev passou a figurar como credor e busca recuperar os valores aplicados na instituição.

Denúncias chegaram à Polícia Federal

O caso já havia sido levado à Polícia Federal antes da diligência desta segunda-feira.

Em junho, o Sindprev, o Movimento Unificado dos Servidores de Maceió e a CUT/AL apresentaram uma denúncia questionando a destinação de aproximadamente R$ 117,9 milhões ao Banco Master.

As entidades também apontaram outros R$ 51,5 milhões aplicados no fundo imobiliário Nest Eagle e solicitaram a apuração das decisões relacionadas à administração dos recursos previdenciários.

A existência das denúncias, no entanto, não significa que eventuais irregularidades tenham sido comprovadas.

Outro ponto que entrou no radar das investigações é a atuação da consultoria Crédito e Mercado, que prestava assessoria ao Iprev.

O presidente da empresa participou de uma reunião do comitê de investimentos do instituto em 29 de novembro de 2023, ocasião em que o Banco Master foi apresentado como uma oportunidade de investimento.

Dois dias depois, o aporte de R$ 80 milhões foi aprovado.

A consultoria também é mencionada em apurações da Polícia Federal relacionadas a investimentos realizados por institutos de previdência de municípios paulistas.

Iprev nega irregularidades

O Iprev afirma que não houve irregularidade nas aplicações e sustenta que as operações seguiram as normas vigentes e a política de investimentos do instituto.

Segundo o órgão, os cerca de R$ 117 milhões não representam, neste momento, um prejuízo consolidado, mas um crédito habilitado no processo de liquidação do Banco Master.

O instituto também afirma que os títulos correspondem a aproximadamente 8% do patrimônio líquido do fundo previdenciário.

A diligência realizada pela Polícia Federal nesta segunda-feira pode ampliar o foco sobre as decisões que levaram à aplicação dos recursos, mas, até o momento, não houve confirmação oficial de que a ação tenha como alvo específico os investimentos no Banco Master.

Crédito & Mercado nega participação em investimento do Iprev no Banco Master

Em nota, a Crédito & Mercado contestou as informações que relacionam a empresa à decisão de investimento do Iprev Maceió no Banco Master. A consultoria afirmou que tomou conhecimento da decisão do ministro André Mendonça por meio da imprensa e considerou equivocada a interpretação dada aos documentos relacionados ao caso.

Segundo a empresa, houve uma confusão entre os chamados APRs (Autorizações de Aplicação e Resgate) e documentos de natureza técnica. A Crédito & Mercado afirma que os APRs são documentos administrativos padronizados utilizados para formalizar operações dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) e que não representam parecer técnico, recomendação de investimento ou manifestação da consultoria sobre determinada aplicação. Veja a nota abaixo.

Esclarecimentos A Crédito & Mercado informa que teve conhecimento da decisão do ministro André Mendonça, com base na suposta investigação da polícia federal por meio da imprensa e entende que houve uma análise equivocada da documentação relacionada ao caso. O documento confunde APR (autorização de aplicação e resgate), que são documentos padronizados e administrativos que formalizam a operação. Os APRs não constituem de forma alguma pareceres técnicos, não representam recomendação de investimento e não refletem qualquer manifestação da Crédito & Mercado sobre aplicações financeiras. Esse modelo é disponibilizado pela secretaria, e é um documento simples que o RPPS emite e foi criado justamente para evitar fraudes financeiras.

No caso do investimento no Banco Master, a Crédito & Mercado jamais foi procurada pelo IPREV Maceió para realizar análise técnica, não emitiu parecer e não recomendou a operação. Ainda assim, não se sabe o motivo, mas a decisão atribui à empresa um papel que ela nunca exerceu, associando-a a uma decisão da qual não participou e sobre a qual jamais foi consultada e não possui nenhuma responsabilidade nisso. Trata-se de uma interpretação errada e falsa dos documentos, que produz uma narrativa incompatível com os fatos e causa grave prejuízo à reputação da empresa. A companhia se defenderá para demonstrar que não houve nenhuma participação das letras do Banco Master tanto a título consultivo e muito menos decisório. E assim que tiver acesso aos autos, a Crédito & Mercado apresentará todos os esclarecimentos necessários.

Comentários

Utilize o formulário abaixo para comentar.

Ainda restam caracteres a serem digitados.
*Marque Não sou um robô para enviar.
Compartilhe nas redes sociais:

Instagram