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Política
Postada em 05/08/2026 22:44 | Por Todo Segundo

Os três motivos que levaram Flávio Bolsonaro a escolher Alfredo Gaspar como vice

Nordeste, segurança e CPMI do INSS pesaram na escolha do alagoano para chapa puro-sangue
Alfredo Gaspar (PL-AL) foi escolhido para ser vice de Flávio Bolsonaro (PL) - Foto: Reprodução/Vittor Sales/JOTA

A escolha de Alfredo Gaspar (PL-AL) para ser vice de Flávio Bolsonaro (PL) não foi apenas uma surpresa política. Por trás da definição, há uma estratégia clara para a eleição presidencial: aproximar a chapa do Nordeste, reforçar o discurso de combate ao crime e colocar a pauta da corrupção no centro da campanha.

Três características de Gaspar pesaram diretamente na decisão.

Primeiro, o Nordeste. Alagoano e com trajetória política construída na região, Gaspar representa uma tentativa de Flávio Bolsonaro de ampliar o diálogo com um eleitorado considerado estratégico na disputa presidencial. A escolha também dá à chapa uma presença nordestina que não estava garantida com os nomes inicialmente cogitados. A imprensa internacional apontou justamente esse fator como um dos elementos estratégicos da escolha.

Segundo, a segurança pública. Antes da carreira política, Gaspar construiu sua trajetória na área jurídica e de segurança pública em Alagoas. O perfil se encaixa no discurso de endurecimento contra a criminalidade defendido por Flávio Bolsonaro e passa a ser uma das marcas da chapa.

Terceiro, a CPMI do INSS. Gaspar ganhou projeção nacional como relator da comissão que investigou fraudes envolvendo descontos em aposentadorias e pensões. No relatório final, ele pediu o indiciamento de mais de 200 pessoas e solicitou a prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. O documento, porém, foi rejeitado pela CPMI por 19 votos a 12.

É justamente esse terceiro ponto que pode ganhar espaço na campanha. Flávio Bolsonaro já havia associado publicamente Gaspar às investigações envolvendo Lulinha. Ao anunciar o vice, o candidato destacou que o alagoano havia defendido aposentados na CPMI e pedido a prisão do filho do presidente Lula.

A escolha, portanto, reúne três mensagens eleitorais em um único nome: Nordeste, segurança e combate à corrupção.

A chapa que acabou sendo “puro-sangue”

A definição de Gaspar também revela uma mudança na estratégia de Flávio. A busca inicial era por uma mulher de outro partido, capaz de ampliar a aliança e dialogar com o eleitorado feminino. Sem esse acordo, a chapa acabou sendo formada integralmente pelo PL.

Para Gaspar, a mudança representa uma virada completa de trajetória. O deputado, que havia acabado de ter sua candidatura ao Senado por Alagoas oficializada, deixa a disputa estadual para assumir uma posição de alcance nacional.

E Flávio Bolsonaro parece ter encontrado no alagoano não apenas um vice, mas um nome capaz de carregar três bandeiras que pretende explorar durante a campanha: o Nordeste, a segurança pública e o discurso anticorrupção.

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