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Postada em 28/04/2026 17:14 | Por Agência

Supermercados batem recorde de faturamento e apostam em modernização das lojas

Com mais de R$ 1 trilhão movimentados no setor, redes investem em gôndolas, layout e tecnologia para disputar a atenção do consumidor
Supermercados investem em renovação de layout e troca de gôndolas para melhorar experiência do cliente

O setor supermercadista brasileiro nunca movimentou tanto dinheiro. E, paradoxalmente, nunca precisou tanto trabalhar para conquistar e fidelizar cada cliente que entra em suas lojas. Quando o mercado cresce, a concorrência cresce junto, e a disputa pelo consumidor deixa de ser travada apenas no campo do preço para se estender à experiência completa de compra, do estacionamento ao caixa.

É nesse contexto que supermercados de todos os portes vêm investindo na renovação de suas lojas, com destaque para dois elementos que definem a experiência física do cliente: o layout dos corredores e as gôndolas de supermercados, que organizam, exibem e influenciam diretamente as decisões de compra. Trocar uma gôndola velha, desgastada ou mal dimensionada por um equipamento moderno e adequado ao fluxo da loja não é apenas uma questão estética. É uma decisão estratégica com impacto direto no faturamento.

Os números que justificam o investimento

O tamanho do setor supermercadista brasileiro em 2024 deixa claro por que as redes investem continuamente em melhoria de loja. Segundo o Ranking ABRAS 2025, elaborado pela Associação Brasileira de Supermercados em parceria com a NielsenIQ, o faturamento bruto do varejo alimentar de autosserviços cresceu 6,5% em 2024 em relação ao ano anterior, alcançando R$ 1,067 trilhão e representando 9,12% do PIB nacional. O número de lojas ativas também cresceu, passando de 414 mil para mais de 424 mil unidades, recebendo juntas cerca de 30 milhões de consumidores por dia.

Em um mercado com essa magnitude e com esse nível de capilaridade, a diferença entre uma loja que cresce e uma que perde participação raramente está no produto em si, já que o mix é em grande parte semelhante entre os concorrentes de uma mesma praça. A diferença está na experiência. Quanto tempo o cliente leva para encontrar o que precisa, o quanto o ambiente é agradável, se a sinalização é clara, se as gôndolas estão abastecidas e organizadas de forma lógica. São esses detalhes que determinam se o cliente volta ou migra para o concorrente na próxima compra.

O que é a gôndola e por que ela é o coração da loja

A gôndola é a estrutura metálica ou modular que organiza os produtos nas prateleiras dos supermercados. Ela é o elemento mais presente na área de vendas, ocupando a maior parte do espaço interno de qualquer loja de autosserviço. Mas sua função vai muito além de simplesmente suportar mercadorias.

Uma gôndola bem projetada é uma ferramenta de vendas. A altura de cada prateleira, o espaçamento entre níveis, a profundidade dos compartimentos, a capacidade de exibição por metro linear e a facilidade de abastecimento pela equipe de reposição são variáveis que impactam diretamente quanto e quais produtos os clientes compram.

Gôndolas muito altas bloqueiam a visão do corredor e criam sensação de confinamento. Gôndolas muito baixas desperdiçam espaço vertical e reduzem a capacidade de exposição. Gôndolas antigas, com prateleiras deformadas ou regulagens travadas, limitam a flexibilidade de planograma e dificultam a adaptação do mix à sazonalidade.

A troca de gôndolas também tem implicações de segurança. Estruturas velhas com soldas comprometidas, reguladores de prateleiras quebrados ou bases instáveis representam risco para colaboradores durante o abastecimento e para clientes que circulam pelos corredores. Redes que renovam periodicamente seu mobiliário de loja eliminam esse passivo e garantem conformidade com as normas de segurança do trabalho.

A ciência por trás da organização da loja

A forma como os produtos são dispostos nas gôndolas e como o layout dos corredores é planejado não é aleatória. Esse campo de conhecimento, que combina princípios de neuromarketing, psicologia do consumo e arquitetura comercial, tem sido cada vez mais aplicado na renovação de lojas supermercadistas.

Estudos na área mostram que mais de 80% das decisões de compra em supermercados são tomadas de forma inconsciente, guiadas por estímulos visuais, sensoriais e emocionais muito mais do que por planejamento racional. O consumidor entra com uma lista mental de dez itens e sai com vinte e dois porque o ambiente da loja criou estímulos que ativaram desejos e necessidades não planejados.

Dentro dessa lógica, a posição do produto na gôndola tem valor mensurável. Produtos posicionados na altura dos olhos e das mãos têm giro significativamente superior ao dos produtos nas prateleiras superiores ou inferiores. Itens de maior margem são estrategicamente alocados nos níveis mais nobres da gôndola. Categorias complementares são posicionadas próximas umas das outras para estimular a compra cruzada. A disposição do corredor é planejada para conduzir o fluxo de clientes pelas áreas de maior impulso.

Uma gôndola moderna, com alturas ajustáveis e estrutura modular, permite que o supermercado execute essas estratégias de planograma com muito mais precisão e flexibilidade do que um equipamento engessado de uma geração anterior.

Layout: a experiência começa antes de pegar o primeiro produto

A renovação do layout vai além da troca do mobiliário. Ela envolve repensar a planta da loja a partir de como o cliente se comporta no espaço, com atenção especial ao fluxo de circulação, à sinalização e à criação de zonas diferenciadas de experiência.

Supermercados modernos investem na criação de áreas que funcionam como pontos de ancoragem emocional dentro da loja. A padaria e a rotisserie posicionadas próximas à entrada, com o aroma do pão recém-assado se espalhando pelos corredores, é um exemplo clássico de como o ambiente sensorial pode ampliar o tempo de permanência e o volume de compras. A área de hortifrutigranjeiros na entrada, com cores vivas e produtos frescos bem iluminados, transmite imediatamente uma mensagem de qualidade que condiciona positivamente a percepção do cliente sobre o restante da loja.

A sinalização de corredor também ganhou atenção crescente nas reformas de layout. Placas claras com identificação de categoria, comunicação de preço bem visível e ausência de excesso de material promocional no ponto de venda contribuem para uma experiência mais fluida, que reduz o tempo de busca do cliente e diminui a sensação de confusão que lojas muito carregadas de comunicação visual costumam gerar.

Tecnologia integrada ao ponto de venda

A renovação de loja em 2024 e 2025 vai além do mobiliário físico. Supermercados que renovam suas estruturas aproveitam o momento para integrar tecnologia ao ponto de venda de formas que não eram possíveis com a infraestrutura anterior.

Etiquetas eletrônicas de preço, que substituem o etiquetamento manual e permitem atualização centralizada de preços em tempo real, são cada vez mais comuns em lojas reformadas. Sistemas de câmeras e sensores de fluxo que monitoram o movimento de clientes nos corredores fornecem dados para otimização contínua do planograma.

Terminais de autoatendimento integrados ao layout reduzem o tempo de espera no caixa e melhoram a percepção de eficiência da loja.

Esse nível de integração entre mobiliário, tecnologia e dados representa uma mudança profunda na forma como os supermercados gerenciam sua operação de piso de loja. A gôndola deixa de ser apenas um suporte de produto para se tornar parte de um ecossistema de dados que informa decisões de abastecimento, precificação e posicionamento de forma muito mais precisa do que a gestão visual tradicional.

O momento de renovar e o impacto nos resultados

A decisão de quando renovar o layout e as gôndolas de uma loja envolve uma análise que equilibra o investimento necessário com o impacto esperado sobre faturamento, eficiência operacional e satisfação do cliente.

Redes que postergam a renovação além do tempo razoável enfrentam custos crescentes de manutenção do mobiliário antigo, perda de flexibilidade de planograma, dificuldade de atrair marcas fornecedoras que exigem padrões mínimos de exposição e, principalmente, a deterioração gradual da percepção do cliente sobre a qualidade da loja. Em um mercado onde o consumidor tem opções e está mais atento do que nunca à experiência de compra, uma loja visivelmente envelhecida comunica descuido antes mesmo de o cliente verificar um único preço.

O investimento em renovação de loja, quando bem planejado e executado com parceiros especializados em mobiliário e layout comercial, se paga pelo aumento do giro por metro linear, pela redução de perdas por má exposição e pela melhora nos indicadores de fidelização, que em última instância determinam a recorrência de visita e o ticket médio ao longo do tempo.

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