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Coisa da Política

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Postada em 02/08/2026 11:28

Arthur pode não precisar de JHC. Mas JHC pode precisar muito de Arthur

A difícil equação entre JHC e Arthur Lira que pode decidir 2026 em Alagoas
JHC precisa de Arthur Lira mais do que Arthur precisa de JHC - Foto: Reprodução

Há decisões políticas que parecem restritas aos bastidores, mas que podem mudar completamente o rumo de uma eleição. Em Alagoas, uma delas atende pelos nomes de JHC e Arthur Lira.

De um lado, o ex-prefeito de Maceió e pré-candidato ao Governo de Alagoas pelo PSDB. Do outro, o ex-presidente da Câmara dos Deputados e pré-candidato ao Senado pelo PP. Durante meses, os dois caminharam próximos. Agora, a relação entrou em uma zona de incerteza que pode definir não apenas o futuro político de ambos, mas o próprio desenho da disputa pelo Governo do Estado.

E aqui está a questão que, na minha avaliação, precisa ser colocada sem rodeios: quem precisa mais de quem?

Minha leitura é que Arthur Lira pode ter condições de disputar e vencer uma das duas vagas ao Senado mesmo sem JHC ao seu lado. Já para JHC, enfrentar Renan Filho sem o apoio de Arthur e da estrutura política da União Progressista seria uma batalha muito mais complicada.

Não se trata apenas de quantidade de votos. Trata-se de estrutura, alianças, palanques, tempo de propaganda e capacidade de organização política em todo o Estado.

A configuração atual das bancadas federais dá ao bloco formado por PP, União Brasil, PL e Republicanos uma posição relevante na distribuição do tempo de propaganda eleitoral e dos recursos do fundo eleitoral. Isso mostra que a composição desse grupo não é um detalhe da eleição: pode representar uma vantagem estratégica importante para qualquer candidatura que consiga reuni-lo.

É justamente aí que Arthur Lira se transforma em uma peça tão importante para JHC.

JHC tem voto, mas precisa de estrutura

JHC não chega à disputa sem força. Pelo contrário. Foi prefeito de Maceió, construiu uma marca política própria e chega à eleição com capital eleitoral.

Mas eleição majoritária em Alagoas não se ganha apenas com popularidade.

É preciso construir uma rede de prefeitos, vereadores, lideranças municipais, deputados, partidos e estruturas capazes de fazer a campanha chegar aos quatro cantos do Estado.

E, nesse quesito, Arthur Lira tem uma capacidade de articulação que não pode ser ignorada.

O ex-presidente da Câmara conseguiu construir, ao longo dos últimos anos, uma ampla rede política em Alagoas. E hoje essa estrutura está diretamente ligada ao PP e ao União Brasil, que formam a federação União Progressista.

Não por acaso, diante da indefinição com JHC, o próprio Arthur Lira já avisou que o grupo poderá buscar um nome próprio para o Governo caso não haja acordo. O prazo político colocado por Lira é justamente o encerramento das convenções partidárias.

Isso muda a natureza da negociação.

Arthur não está apenas pedindo espaço em uma chapa. Ele está dizendo, na prática, que sem acordo com JHC, existe outro caminho possível.

E onde entra Renan Filho?

É aqui que a conta fica ainda mais complicada para JHC.

Renan Filho entra no jogo com uma estrutura política robusta e com o peso de um grupo que conhece profundamente a máquina eleitoral alagoana.

Além disso, o ex-governador e atual ministro dos Transportes possui forte inserção política no interior e conta com o apoio do grupo liderado pelo senador Renan Calheiros.

JHC, portanto, não estaria enfrentando apenas Renan Filho como candidato.

Estaria enfrentando um grupo político organizado, uma estrutura estadual consolidada e uma ampla rede de alianças municipais.

É justamente por isso que a presença de Arthur Lira ao lado de JHC pode fazer diferença.

A questão não é apenas quem tem mais votos

Existe uma leitura simplista de que a negociação entre JHC e Arthur Lira se resume a uma disputa por espaço político.

Não vejo dessa maneira.

A questão é muito maior.

Arthur precisa de JHC para fortalecer seu palanque na disputa pelo Senado? Sim.

Mas JHC precisa de Arthur para tornar sua candidatura ao Governo mais competitiva? Na minha avaliação, ainda mais.

E isso explica por que essa negociação chegou a um ponto tão delicado.

Arthur Lira tem uma eleição majoritária própria para disputar. JHC também.

Mas os dois têm interesses diferentes.

Arthur pode construir uma candidatura ao Senado com uma estrutura própria e buscar alianças mesmo que não esteja no palanque de JHC. Já JHC, para enfrentar uma candidatura como a de Renan Filho, precisa maximizar sua estrutura política.

É aí que a matemática eleitoral começa a falar mais alto que as divergências pessoais.

O tempo de televisão é outro capítulo dessa história

E existe ainda um ingrediente que muita gente costuma subestimar: o tempo de rádio e televisão.

Em uma eleição majoritária, tempo de propaganda não ganha eleição sozinho. Mas pode fazer enorme diferença para quem precisa apresentar propostas, desconstruir adversários, responder ataques e, principalmente, alcançar o eleitor que ainda não decidiu seu voto.

O grupo político ligado a Arthur Lira aparece atualmente em posição privilegiada na distribuição de tempo de propaganda e recursos eleitorais.

Por isso, uma eventual união entre JHC e a União Progressista não seria apenas uma fotografia política.

Seria uma mudança concreta na capacidade de comunicação da oposição.

E isso pode ser decisivo.

Arthur pode não precisar de JHC. Mas JHC pode precisar muito de Arthur.

É aqui que chego à minha conclusão.

Arthur Lira pode até não precisar de JHC para vencer a eleição para o Senado. Mas JHC precisa muito de Arthur Lira para ter uma chance mais competitiva contra Renan Filho.

Isso não significa que JHC esteja derrotado sem Arthur.

Muito menos que Arthur esteja eleito.

Política não funciona assim.

Mas significa que, diante do atual tabuleiro, a união entre os dois pode ser muito mais importante para JHC do que para Arthur.

E talvez seja exatamente essa percepção que esteja tornando a negociação tão difícil.

Arthur sabe o tamanho da estrutura que possui.

JHC sabe o tamanho do adversário que terá pela frente.

E os dois sabem que, separados, podem acabar disputando uma eleição completamente diferente daquela que disputariam juntos.

Por isso, a pergunta que permanece não é simplesmente se JHC e Arthur vão fazer as pazes.

A pergunta é muito mais estratégica:

JHC vai conseguir convencer Arthur Lira de que a união dos dois é o melhor caminho para ambos — ou Arthur vai concluir que pode ser mais vantajoso montar seu próprio palanque para 2026?

A resposta pode definir o desenho da eleição em Alagoas.

E, dependendo da decisão tomada nos próximos dias, a eleição pode começar a mudar antes mesmo de a campanha oficialmente começar.

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