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Valdenice Guimarães

Sobre o autor

Valdenice Guimarães: É Psicóloga Comportamental, Historiadora, Escritora, Palestrante, Psicóloga especialista em Terapia de Casal. Pós-graduada em Teorias e Técnicas Comportamentais: Educação, Pesquisa e Terapia. CRP/153816
Postada em 03/05/2026 11:44 | Atualizada em 03/05/2026 13:30

Menos diagnósticos, mais estimulação na infância

 Menos diagnósticos, mais estimulação na infância

Ingrid Melo


E se eu te contar que brincar não é um processo natural da criança você acreditaria? Segundo Miranda (2021) o processo de brincar não é natural as crianças, mas sim aprendido e apresentado pelo meio, brincar é um processo cultural. Ao contrário do que nós, adultos, pensamos, a brincadeira é muito mais que um “passa tempo” das crianças, é onde nós construiremos bases culturais, sociais, educacionais e emocionais. É nelas que temos a possibilidade de desenvolver caráter e a personalidade das crianças, de acordo com Piaget (1978). É nelas que ofertamos oportunidades de desenvolvimento de habilidades.

Quando nos aproximamos de um bebê, fazemos sons, caretas, brincamos de esconder e aparecer. Essas são as primeiras formas de interação lúdica e são essenciais para criar conexão, um fator indispensável para o desenvolvimento infantil. Com o tempo, buscamos recursos externos, como os brinquedos.

A pesquisadora Tizuko Morchida Kishimoto explica que os brinquedos permitem que a criança represente e compreenda a realidade. Eles podem ser estruturados, com funções definidas, ou não estruturados, que permitem múltiplas possibilidades de uso, como panelas, caixas e garrafas. E aqui está um ponto essencial: não é o brinquedo que determina o desenvolvimento, mas a forma como ele é utilizado.

Além dos brinquedos nós também podemos contar com as brincadeiras tradicionais e coletivas como, pular corda, amarelinha, queimado, bola de gude e os jogos, atividades regradas que podem ser de cartas, mesa ou eletrônicos. Esses recursos parecem sinônimos, mas cada um é aplicado de uma forma e desempenha uma função diferente.

Por outro lado, nem todo recurso oferecido à criança promove desenvolvimento. Muitos apenas distraem. A diferença está na intencionalidade do adulto. Atualmente, com a diminuição das brincadeiras na rua, as telas ganharam espaço dentro das casas. No entanto, segurança física não garante desenvolvimento saudável. Crianças precisam de presença, interação, orientação e conexão.

Uma tampa de panela pode ser apenas um objeto comum ou o volante de um carro em uma aventura imaginária. Uma caixa pode virar um instrumento musical ou um cenário de histórias. Esse tipo de exploração estimula criatividade, imaginação, autonomia e resolução de problemas, há uma infinidade de variações possíveis.

Proporcionar momentos de experiências faz com que o cérebro infantil se desenvolva cada vez mais, exposição a brincadeiras faz com que mais conexões cerebrais sejam formadas, construir seu próprio brinquedo permite que a criança crie, formule e aplique suas regras e sua imaginação na vida real -- habilidades que não podem ser ofertadas pelas telas.

Sabemos que a rotina adulta é intensa e cansativa, o que muitas vezes dificulta a presença. Ainda assim, é possível construir uma rotina mais consciente, com momentos de qualidade com as crianças porque, no final, educar com amor e amar com presença não é sobre perfeição é sobre intenção e constância. É sobre um caminho possível.


Ingrid Melo
Escritora, Professora, Graduada em Química e Especialista em Desenvolvimento Infantil.

Integrante do Grupo de Estudos "Discussões Literárias, Fortalecenco Amizades"

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