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Postada em 30/08/2025 23:36 | Atualizada em 30/08/2025 23:50 | Por Todo Segundo

CSA entra em colapso administrativo e amarga queda para a Série D

Rebaixamento evidencia desorganização no comando do futebol e na gestão
CSA foi derrotado pelo Brusque por 2 a 0, e acabou rebaixado para a Série D - Foto: Cardoso/Brusque FC

O sábado (30) ficará registrado como um dos mais amargos da história centenária do CSA. O Azulão, dono de uma das maiores torcidas do Nordeste e já presente na elite nacional, viveu um colapso esportivo e político: foi derrotado pelo Brusque por 2 a 0, em Santa Catarina, e acabou rebaixado para a Série D do Campeonato Brasileiro.

A queda veio acompanhada de uma estatística cruel: antes da rodada, a probabilidade de descenso azulino era inferior a 1%. Ainda assim, o improvável aconteceu. Enquanto o CSA tropeçava em campo, a matemática conspirava contra: o Itabaiana venceu o ABC em Natal (1 a 0), o Maringá goleou o Caxias em casa (3 a 0) e o Anápolis superou o Botafogo-PB (2 a 0) em Goiás.

No fim, os 22 pontos conquistados não foram suficientes. O CSA terminou em 17º lugar, ultrapassado pelo Itabaiana apenas no critério de número de vitórias. Um detalhe que, na prática, custou o rebaixamento mais doloroso da história azulina.

O peso de uma gestão em frangalhos

O fracasso não pode ser explicado apenas dentro das quatro linhas. Ao longo de 2025, o CSA viveu um acúmulo de decisões equivocadas e uma disputa política corrosiva.

A diretoria demitiu o técnico Higo Magalhães no fim de julho, apostou em Márcio Fernandes — que durou apenas quatro jogos — e, em meio à instabilidade, trouxe Higo de volta. A decisão, tomada sem consenso, provocou a saída do superintendente de futebol, Luciano Lessa.

Poucos dias depois, foi a vez do vice-jurídico Marcelo Brabo entregar o cargo, acusando a cúpula azulina de atropelar processos e tomar decisões sem consulta ao departamento legal. No sábado passado, diante do caos, o vice-geral Robson Rodas assumiu provisoriamente o comando do futebol.

Enquanto isso, conselheiros e ex-dirigentes intensificaram os ataques à presidente Mirian Monte, que está no cargo desde a renúncia de Rafael Tenório, em março de 2024. O Conselho Deliberativo já convocou reunião de emergência para segunda-feira (1º), às 18h, e a mandatária promete ir para o contra-ataque com “revelações importantes” sobre a política interna do clube.

Agosto: da esperança ao colapso

O mês de agosto começou com expectativa de classificação e terminou com o CSA no fundo do poço. A sequência de jogos mostra a trajetória da queda:

02/08 – CSA 2 x 1 Botafogo-PB – Série C

07/08 – Vasco 3 x 1 CSA – Copa do Brasil

11/08 – Itabaiana 1 x 0 CSA – Série C

16/08 – CSA 2 x 2 Ituano – Série C

20/08 – CSA 0 x 1 Confiança – Semifinal do Nordestão

25/08 – CSA 1 x 2 Ponte Preta – Série C

30/08 – Brusque 2 x 0 CSA – Série C

O empate diante do Ituano e as derrotas para Ponte Preta e Brusque foram o golpe final em um time já combalido pela instabilidade interna.

Uma queda que dói além da tabela

O rebaixamento para a Série D significa muito mais do que mudar de divisão. O CSA, que até pouco tempo duelava contra Flamengo, Palmeiras e Grêmio na Série A, terá agora de encarar campos acanhados, orçamento reduzido e uma competição imprevisível.

A perda de receita, o enfraquecimento da marca e a desconfiança da torcida podem abrir uma ferida ainda mais profunda do que a provocada pela queda em si.

Futuro nebuloso

A missão de reconstruir o CSA será árdua. Sem pronunciamento oficial após a queda, a diretoria azulina inicia setembro sob pressão intensa, entre cobranças políticas e protestos da torcida.

A queda para a Série D não é apenas um resultado esportivo. É o reflexo de uma crise estrutural que expôs erros de planejamento, divisões internas e a incapacidade de reagir diante da adversidade.

A pergunta que ecoa entre os azulinos é direta e dolorosa: como um clube que há cinco anos estava na Série A chegou tão rápido ao abismo da Série D?

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