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Polícia
Postada em 24/02/2026 17:02 | Atualizada em 24/02/2026 17:45 | Por Todo Segundo

Advogada questiona perícia e diz pedir nova simulação no caso Maria Katharina

Acusação cita divergências na altura da viga, posição da corda e possível alteração da cena
Advogada Thaís Martins, questiona perícia e diz pedir nova simulação no caso Maria Katharina - Foto: Todo Segundo

A morte da menina Maria Katharina Simões da Costa, de 10 anos, encontrada sem vida em 2024 na zona rural de Palmeira dos Índios, volta ao centro do debate jurídico. A assistente de acusação no processo, a advogada Thaís Martins, confirmou em entrvista exclusiva ao Portal Todo Segundo, que irá solicitar uma nova reprodução simulada do caso, apontando inconsistências técnicas e controvérsias no procedimento realizado durante a investigação. (Assista ao vídeo abaixo da matéria).

A criança foi encontrada em um estábulo, e a informação inicial apurada pela Polícia Civil de Alagoas indicou que ela teria tirado a própria vida. No entanto, a acusação sustenta que há elementos que precisam ser reavaliados.

Segundo a advogada, o pai da menina foi denunciado por quatro crimes: abandono de incapaz, maus-tratos, tortura-castigo e instigação ao suicídio.

De acordo com o que consta na denúncia, no dia do ocorrido, Maria Katharina teria sido deixada sozinha em situação de vulnerabilidade. Antes disso, conforme relatos colhidos no processo, houve uma situação envolvendo os dois irmãos em uma casa em construção. O menino, de cinco anos à época, teria se ferido em um prego durante uma brincadeira. O pai, segundo a acusação, responsabilizou a filha pelo ocorrido e a agrediu com dois tapas no rosto, fazendo-a cair.

Para a assistente de acusação, o contexto de agressões físicas e psicológicas é determinante para a análise do caso.

Inconsistências na reprodução simulada

A reprodução simulada foi realizada no estábulo onde o corpo foi encontrado. No local, há uma viga com cerca de 2,63 metros de altura. Uma atriz com a mesma altura da vítima — 1,56 metro — participou da encenação, utilizando os objetos que estavam presentes na cena, como cadeiras plásticas, cadeiras do tipo longarina, uma cadeira escolar de madeira e um sofá sem encosto.

No entanto, segundo a advogada, a atriz não conseguiu alcançar a viga no ponto indicado pela mãe da criança, Virginea Simões, que afirmou ter cortado a corda acima da cabeça da filha.

“A reprodução simulada serve para aproximar o máximo possível do que ocorreu. Se alguém da mesma altura não conseguiu alcançar a viga no ponto indicado, isso gera uma dúvida técnica relevante”, argumenta a advogada.

Ela afirma ainda que apenas em um ponto mais baixo — indicado pelo próprio acusado — houve alcance. Contudo, esse local teria sido descartado pela perícia, considerando o relato da mãe sobre onde a corda estava posicionada.

Cena modificada

Outro ponto levantado pela acusação é a possível alteração do cenário dias após o fato. Fotografias anexadas ao processo indicariam que objetos presentes inicialmente na cena estavam em posições diferentes posteriormente. Além disso, teriam sido observadas cordas penduradas em uma área mais ao fundo do estábulo, o que, na avaliação da advogada, poderia influenciar a dinâmica do ocorrido.

“A fidelidade da cena é fundamental para a conclusão técnica. Qualquer modificação pode comprometer a reconstrução dos fatos”, destacou.

Diante das alegadas incongruências, Thaís Martins informou que irá protocolar, juntamente com o Ministério Público, o pedido de uma nova reprodução simulada, com análise minuciosa das medidas, dos objetos e da dinâmica apresentada.

O objetivo, segundo ela, é esclarecer definitivamente se a versão inicialmente apontada pela investigação se sustenta tecnicamente.

Dor que permanece

Enquanto o processo segue tramitando, a dor da família permanece. Virginea Simões, mãe de Maria Katharina, continua acompanhando cada etapa judicial. Segundo a advogada, a mãe encontra forças no filho mais novo, hoje com sete anos.

O caso gerou grande comoção em Palmeira dos Índios e em todo o estado de Alagoas, levantando debates sobre violência doméstica, proteção infantil e a importância da apuração rigorosa de mortes envolvendo crianças.

A expectativa agora é que a Justiça analise o pedido da assistente de acusação e decida sobre a realização de uma nova reprodução simulada — etapa que pode ser decisiva para o esclarecimento definitivo do que aconteceu naquela tarde de 8 de julho de 2024 que marcou para sempre a história de uma família no Agreste de Alagoas.

Assista abaixo a entrevista exclusiva concedida ao repórter Everton Luiz

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