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Alagoas
Postada em 23/02/2026 14:46 | Atualizada em 23/02/2026 14:57 | Por Todo Segundo

UFAL mostra que jovens autistas precisam de educação sexual adaptada

Especialistas alertam que evitar o diálogo contribui para desinformação e situações de violência
UFAL evidencia que falta de orientação sexual aumenta riscos para adolescentes autistas - Foto: Reprodução

Um estudo conduzido pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL) revelou que a sexualidade de adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ainda é tratada como tabu, e que o silêncio sobre o tema pode ser mais prejudicial do que se imagina. A pesquisa, publicada na revista Ciência & Saúde Coletiva, aponta que a falta de orientação adequada aumenta a vulnerabilidade desses jovens a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), gravidez não planejada, abuso sexual e violência.

Apesar de vivenciarem as mesmas mudanças hormonais da puberdade que jovens neurotípicos, os adolescentes com TEA percebem essas transformações de maneira diferente. O estudo da UFAL destaca que alterações como o crescimento de pelos, a primeira menstruação ou mudanças na voz podem não ser imediatamente compreendidas, e que dificuldades na leitura de normas sociais aumentam o risco de situações de abuso.

Grau de suporte e riscos

A pesquisa da UFAL reforça que o nível de suporte, definido pelo DSM-5, é um fator crítico. Indivíduos com nível 1 precisam de pouco apoio, mantendo autonomia; já os níveis 2 e 3 demandam ajuda frequente ou constante para atividades básicas e compreensão de regras sociais.

“A falta de orientação sobre sexualidade deixa esses adolescentes especialmente vulneráveis. Um jovem com alto grau de suporte pode não conseguir relatar um assédio porque não sabe nomear partes do corpo ou interpretar o que aconteceu”, alerta Andrea Hercowitz, hebiatra e coordenadora do programa de pós-graduação em Medicina do Adolescente da FICSAE.

Consequências do silêncio

O estudo da UFAL mostra que o desconhecimento sobre sexualidade não afeta apenas a saúde física, mas também social e emocional. A falta de diálogo e educação sexual deixa o adolescente autista desinformado, aumentando a dependência de fontes externas, muitas vezes inadequadas, e dificultando a identificação de situações de risco.

Uma meta-análise internacional, citada pelo estudo, revela que 40% das pessoas com TEA já foram vítimas de abuso sexual, muitas vezes dentro de casa ou por pessoas próximas. “Evitar a conversa sobre sexualidade não protege, apenas amplia os riscos”, completa Aline Veras Morais Brilhante, especialista em sexualidade humana e professora da UFC.

Educação sexual adaptada como solução

A pesquisa da UFAL reforça a importância do diálogo precoce, progressivo e adaptado, com linguagem, materiais e exemplos adequados ao nível de suporte do adolescente. Ensinar o próprio corpo, limites, consentimento e diversidade ajuda a reduzir vulnerabilidades e preparar o jovem para uma vida sexual saudável e segura.

“Quando a educação sexual é feita de forma correta, respeitando o desenvolvimento e as necessidades do adolescente com TEA, ele pode vivenciar sua sexualidade com conhecimento, proteção e autonomia”, conclui Hercowitz.

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