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Política
Postada em 17/08/2026 17:19 | Atualizada em 17/08/2026 17:27 | Por Todo Segundo

JHC e Renan Filho devem ficar praticamente empatados no tempo de TV

Aliança de JHC com Arthur Lira altera cálculo e reduz vantagem que o candidato do MDB
Aliança de Lira transforma disputa pelo tempo de TV entre JHC e Renan Filho - Foto: Reprodução

A aliança entre JHC (PSDB) e Arthur Lira, fechada no último sábado (15), último dia para o registro das candidaturas, mudou o desenho da eleição para o Governo de Alagoas e também a disputa pelo espaço no rádio e na televisão.

Com a entrada do grupo de Lira no palanque de JHC, as projeções apontam para um cenário de praticamente empate no tempo de TV entre os dois principais candidatos, com cerca de 4 minutos e 30 segundos por programa para cada lado.

A mudança é significativa. Antes do fechamento das alianças, Renan Filho (MDB) poderia chegar a aproximadamente 7 minutos e 33 segundos, enquanto JHC teria cerca de 1 minuto e 27 segundos. A diferença passava de seis minutos por programa.

Agora, com o grupo de Arthur Lira incorporado à aliança de JHC, essa vantagem deixa de existir e transforma o horário eleitoral em uma das principais frentes da disputa entre os dois blocos.

A força da aliança está no tamanho das bancadas dos partidos que passaram a integrar o grupo de JHC. A Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, e o PL acrescentam peso à coligação e alteram diretamente a divisão do horário eleitoral.

Na prática, JHC deixa de entrar na propaganda eleitoral com uma participação reduzida e passa a ter um espaço semelhante ao de Renan Filho.

A projeção de aproximadamente 4 minutos e 30 segundos para cada um coloca os dois candidatos em condições muito mais equilibradas para apresentar propostas, explorar alianças e disputar a narrativa da eleição.

O efeito também deverá ser percebido nas inserções comerciais distribuídas durante a programação das emissoras. Antes do acordo, a estimativa era de que Renan Filho pudesse ter entre 23 e 24 inserções por dia, contra quatro ou cinco de JHC. Com a nova configuração, a tendência é de uma divisão próxima do equilíbrio, com cerca de 14 inserções diárias para cada um, conforme a projeção apresentada antes do fechamento das alianças.

Apesar da forte polarização entre JHC e Renan Filho, a eleição para o Governo de Alagoas terá quatro candidatos.

Lenilda Luna (Unidade Popular) e Márcio Jambo (Democrata) também estão na disputa pelo Governo de Alagoas, mas não terão acesso ao tempo do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV. As duas legendas não atingiram os critérios estabelecidos pela cláusula de desempenho para participar da divisão do tempo.

Isso não impede, porém, que os candidatos disputem normalmente a eleição. Lenilda e Jambo poderão fazer campanha nas ruas, participar de atividades políticas e utilizar as redes sociais para apresentar suas propostas e buscar votos.

A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV vai ao ar de 28 de agosto até 1º de outubro.

Barreira para partidos com pouca representação

O pleito deste ano é o quinto a aplicar essa cláusula, também chamada de cláusula de barreira. Criada pela Emenda Constitucional nº 97/2017, ela estabelece um piso mínimo de votos ou de cadeiras para que um partido tenha acesso ao fundo partidário e ao tempo gratuito de propaganda no rádio e na TV. A exigência aumenta a cada eleição.

Em 2022, os partidos precisavam alcançar 2% dos votos válidos nacionais para a Câmara — distribuídos em pelo menos um terço dos estados, com no mínimo 1% em cada um deles — ou eleger 11 deputados federais, também espalhados por um terço das unidades da federação.

Este ano, a régua subiu para 2,5% dos votos válidos nacionais para a Câmara, com 1,5% em pelo menos um terço dos estados, ou a eleição de 13 deputados federais nesse mesmo critério de distribuição geográfica.

A partir de 2030, o piso sobe de novo, para 3% dos votos válidos nacionais ou 15 deputados eleitos, mantida a exigência de distribuição em um terço das unidades da federação.

Partidos que não atingem esse patamar mínimo de votos ou de cadeiras ficam de fora da conta e, na prática, sem acesso ao horário eleitoral gratuito.

Como é feito o cálculo

Do tempo total, 90% é dividido proporcionalmente ao tamanho da bancada de cada partido ou federação na Câmara dos Deputados. Os outros 10% são repartidos igualmente entre as legendas aptas.

Essa fórmula vale tanto para os blocos maiores do horário eleitoral quanto para as inserções publicitárias de 30 e 60 segundos espalhadas pela programação. Já nos cargos que permitem coligação — presidente, governador e senador, em 2026 —, a conta considera apenas os seis maiores partidos aliados, e não a soma de todos os integrantes da coligação.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não divulgou os minutos exatos de cada partido ou candidatura. A portaria traz apenas o número de deputados e parlamentares que serve de base para esse cálculo.

O tribunal considerou 510 deputados federais eleitos por partidos e federações que atenderam à cláusula de desempenho. Três ficaram de fora da soma porque seus partidos não cumpriram os requisitos.

A Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, tem a maior bancada nessa conta, seguida pelo PL e pela Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PCdoB e PV. Do outro lado, o Avante aparece com a menor representação entre as legendas aptas.

Participação em debates segue a mesma régua

A mesma lógica da propaganda eleitoral gratuita vale para decidir quem participa dos debates eleitorais — com uma diferença: aqui entram também os senadores. O total considerado sobe para 591 parlamentares.

A Federação União Progressista lidera, com 124 parlamentares, seguida pelo PL, com 107, e pela Federação Brasil da Esperança, com 89.

A tabela completa está na Portaria TSE nº 473, de 29 de julho de 2026.

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