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Djalma Lyma

Sobre o autor

Radialista profissional e acadêmico de Direito, Djalma Lyma atua na comunicação com olhar crítico e compromisso com a informação. Este blog, reúne política, opinião e análise sobre os principais acontecimentos de Alagoas e do Brasil!
Postada em 16/09/2026 12:49

Honra tem preço? Quando o poder precisa de sentença para se defender

Quem precisa proteger a própria honra o tempo todo está protegendo a honra?
Quanto vale a honra quando ela precisa ser defendida a qualquer preço? - Foto: Imagem ilustrativa

Rui Barbosa, Alexis de Tocqueville e C. S. Lewis viveram épocas diferentes, pensaram problemas diferentes, mas deixaram reflexões que continuam provocando o presente. Rui Barbosa defendeu uma imprensa livre dentro dos limites da lei; Tocqueville enxergou na liberdade de imprensa uma proteção essencial contra a concentração do poder e a tirania da opinião dominante; e C. S. Lewis tratou o orgulho como uma força que transforma a relação com os outros em uma disputa permanente.

Talvez seja justamente aí que esteja uma das perguntas mais incômodas da política brasileira: quem precisa proteger a própria honra o tempo todo está realmente protegendo a honra?

Quem escolhe ocupar uma posição de poder precisa entender uma coisa elementar: ser autoridade não significa ser imune à crítica.

Crítica faz parte da democracia. Questionamento faz parte da vida pública. Contraditório faz parte do jogo.

É claro que existe uma fronteira. Calúnia, difamação e acusações falsas não são simplesmente opiniões e podem gerar consequências jurídicas. Mas existe uma diferença enorme entre combater um crime e transformar toda crítica inconveniente em caso de Justiça.

Quando isso acontece com frequência, o efeito não fica restrito ao alvo da crítica.

O cidadão começa a pensar duas vezes antes de falar. O jornalista começa a medir cada palavra. O adversário político calcula o risco de discordar. E o debate público vai encolhendo.

Esse é o verdadeiro perigo.

Uma democracia saudável não precisa de autoridades protegidas contra perguntas. Precisa de autoridades suficientemente seguras para suportá-las.

Isso vale para quem ocupa o Palácio, para quem senta no Congresso e também para quem veste a toga.

Aliás, quanto maior o poder, maior deveria ser a disposição para suportar o contraditório.

Porque autoridade sem tolerância à crítica pode facilmente confundir respeito com silêncio.

E quando instituições que deveriam arbitrar os conflitos passam a aparecer constantemente no centro deles, surge outra pergunta inevitável:

quem fiscaliza quem?

Não é preciso apontar nomes. Basta olhar para o ambiente político brasileiro.

Executivo, Legislativo e Judiciário disputam espaço, influência e autoridade. Enquanto isso, o cidadão assiste, muitas vezes sem entender onde termina a disputa institucional e começa a disputa pelo poder.

E há algo ainda mais simples que tudo isso.

Honra não deveria depender de uma sentença.

Uma sentença pode reparar juridicamente uma ofensa. Pode estabelecer responsabilidade. Pode reconhecer um abuso.

Mas caráter é outra coisa.

Caráter aparece quando ninguém está obrigado a aplaudir.

Aparece quando alguém é contrariado.

Aparece quando uma crítica injusta é recebida sem transformar imediatamente o crítico em inimigo.

E, sobretudo, aparece quando quem tem poder consegue lembrar que poder não é propriedade particular. É uma responsabilidade temporária diante da sociedade.

Cristo, para quem acredita nele, oferece uma referência ainda mais profunda. Foi humilhado, atacado e condenado injustamente e, ainda assim, respondeu com perdão.

Não se trata de dizer que toda ofensa deve ser ignorada ou que a Justiça não deve agir diante de crimes. Trata-se de lembrar que nem toda provocação merece uma guerra.

Algumas ofensas exigem resposta.

Outras exigem Justiça.

E algumas merecem simplesmente o silêncio de quem sabe quem é.

No fim, talvez a maior defesa da honra não esteja em controlar aquilo que dizem sobre nós, mas em cuidar daquilo que nossas próprias atitudes dizem a nosso respeito.

Porque honra não é aquilo que uma sentença declara.

Honra é aquilo que o caráter sustenta quando o poder já não consegue falar por você.

E fica a pergunta:

Senhoras e senhores, quanto vale a sua honra se ela precisa de um preço para ser defendida?

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