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André Avlis

Sobre o autor

Radialista, natural de Maceió, cresceu em Arapiraca e trabalhou nas rádios, Cidade, A Voz do povo é a voz de Deus, Metropolitana FM, Novo Nordeste, Nova FM e atualmente trabalha na Pajuçara FM.
Postada em 22/05/2020 09:07 | Atualizada em 22/05/2020 12:24
FUTEBOL/CORONAVÍRUS: De perda em perda, o Futebol mostra-se não ser essencial
Em meio ao aumento de mortes no Brasil, por conta do Covid-19, clubes retornaram aos trabalhos.
Everton Cebolinha, atacante do Grêmio e seu avô, Seu Francisco, que faleceu por conta da Covid-19. - Foto: Arquivo pessoal: Everton

A dor de uma partida é inexplicável. E não falo de um jogo. Nem de um campeonato perdido.

Quando alguém próximo se vai, os "porquês" sempre aparecem. Outro que vem à tona no momento é o por que? Por que a pressa para o futebol voltar, no Brasil?

O Brasil ultrapassou a marca de 20.000 mortos (e contando...) decorrentes da Covid-19, o novo coronavírus. Eram pais, mães, filhos, avôs, avós - famílias. Famílias dilaceradas.

São números - para alguns. Nomes, rostos e vidas para outros. Dentro do futebol, ainda não achei uma definição. Talvez, "ninguéns".

Nele, já se foram treinador (na Espanha), assistente (em Portugal). Aqui, alguns nomes. Rudson Aquino, ex-assistente e bandeirinha, no Ceará; Jorginho, massagista do Flamengo (o mais antigo funcionário do clube); e sem contar os "anônimos".

No mundo, atletas, ex-jogadores, dirigentes e outros profissionais da área.

De perto daqueles que fazem o espetáculo, aqui; a mãe do atacante Ronald, Débora,, que atuou na base do Flamengo em 2019; e ontem, infelizmente, o "Seu" Francisco, avô do atacante do Grêmio, Everton Cebolinha.

Daí, mais uma vez eu pergunto: para quê essa pressa de retornar?

Como se fosse real as evidências de que existe um mundo paralelo. Deve ser esse mundo que vivem alguns dos que "comandam" o futebol. Vai ver eu não estava errado, quando em um post, aqui mesmo, o citei.

Alguns clubes voltaram e insistiram no retorno dos trabalhos. A exemplo de Grêmio, Internacional, Flamengo, Avaí, Atlético-MG. Outros planejam, também, o retorno. Em breve.

O futebol, mesmo sendo um meio de entretenimento, continua não essencial. Lógico, é dele que vem o sustento de famílias, sim. É daí também, que o momento, seria propício para a união de clubes e federações. Um colegiado, para juntos, se ajudar. Porém, como sempre o "farinha pouca, meu feijão primeiro" impera. Infelizmente. Puro individualismo e egoísmo.

Vão de encontro a opiniões de médicos, especialistas, organizações especializadas. Procuram "brechas", desculpas, argumentos. Para quê? Não sei.

Vejo tudo isso acontecendo e vejo uma total falta de sensibilidade e sensatez. Junto da irresponsabilidade, imbecilidade. O senso humanitário passou longe. Tudo isso por interesses. Pessoais, políticos e "cifrais". Tudo do mesmo, na "normalidade" do futebol brasileiro.

Asssim, quando a dor da partida for pessoal, acho que entenderão a real situação que vive o país. Enquanto isso, a dor do outro não choca. E quem perdeu, não terá jogo de volta para tentar vencer.

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