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Valdenice Guimarães

Sobre o autor

Valdenice Barboza Guimarães; Historiadora Psicóloga Clínica Comportamental. Membro fundadora do Instituto de Análise do Comportamento – IAC. Pós-graduada em Teorias e Técnicas Comportamentais: Educação, Pesquisa e Terapia.
Postada em 27/01/2019 20:08
Estresse pós-traumático

A vida é mesclada de períodos felizes e tristes, além de momentos de conquistas e também de insucessos. O modo do indivíduo administrar essas situações definirá o nível de sofrimento, sua frequência e intensidade.

O sujeito que em sua história ontogenética, teve a oportunidade de passar por momentos difíceis e aprendeu a lidar com frustrações, perdas e insucessos, tende a passar por essas situações e superá-las, apesar do sofrimento. Isso é um indicativo que o mesmo tem um repertório comportamental amplo para adaptar-se à diferentes ambientes, sejam estes confortáveis ou aversivos.

A falta de repertório comportamental, leva o sujeito a não conseguir adaptar-se de forma adequada às situações difíceis da vida, levando-o a desencadear um sofrimento maior e até algumas psicopatologias.

Porém, existem acontecimentos que são muito traumáticos e afetam diretamente a sobrevivência do indivíduo, algumas vezes de maneira inesperada, levando-o ao adoecimento. Estou me referindo ao transtorno do estresse pós-traumático. Ele pode ser desencadeado diante da dificuldade do sujeito se recuperar, depois de ter vivenciado situações aterrorizantes e também ter sido vítima de atos violentos.

Exemplificaremos com dois acontecimentos trágicos.

A segunda catástrofe ocorreu no início da tarde da última sexta-feira, dia 25 de janeiro de 2019, quando do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale em Minas Gerais. Um mar de lama avançou sobre área administrativa da empresa e casas na área rural da cidade

Segundo o presidente da Vale, Fábio Schvartsman, vazaram 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos. Os rejeitos da mineração, são resultado do processamento para separar o minério de ferro bruto de impurezas, que não têm valor. Essa sobra contém restos de minério, sílica e derivados de amônia.

Os dados da tragédia foram atualizados neste domingo, dia 27, pelo Corpo de Bombeiros. Segundo a corporação, são 58 mortos, 305 desaparecidos e 192 pessoas resgatadas nessa tragédia.

O cenário na cidade de Brumadinho é de horror e desespero.
No primeiro acontecimento, relataremos o que parte da população de Maceió, capital alagoana, especificamente o bairro Pinheiro, está vivenciando. Há um ano, apareceram fissuras e rachaduras nos imóveis. Atualmente, ainda não há uma explicação técnica e científica para tal fenômeno.

O Jornal Tribuna Independente, na sua edição de número 3.314, trouxe como manchete de primeira página o seguinte: “RISCO DE DESABAMENTO É GRANDE”. A matéria inicia afirmando que as edificações do bairro Pinheiro correm risco de desabar. A informação, segundo esse periódico, é do coordenador da Defesa Civil Estadual, tenente-coronel Moisés Melo. Ainda na mesma matéria, há uma preocupação com a aproximação do período chuvoso, e a chuva pode ser um gatilho para acionar tremores na região, por isso, a população desse local dever ser evacuada.

Estes fatos do Pinheiro e de Brumadinho, exemplificam o transtorno do estresse pós-traumático.

A resposta do organismo ao estresse, depende da maneira como a pessoa lida e discrimina as situações ou os estímulos ambientais, como difíceis ou aterrorizantes.

Diante de um evento ambiental estressor de alta magnitude, a resposta do sujeito vai depender do modo que foi sendo modelado seu comportamento. A resposta poderá ser de enfrentamento ou de fuga e esquiva. Portanto, as habilidades do sujeito para dar respostas adequadas a cada estressor, dependem de um aprendizado prévio sob circunstância de reforçamento em situações similares precedentes.

Essas populações vivenciam situações altamente estressantes, ou melhor, aterrorizantes, que podem ser consideradas capazes de contribuir para que uma pessoa desenvolva o transtorno do estresse pós-traumático. Dependendo da intensidade do sentimento de incapacidade frente às contingências ambientais trágicas, há a possibilidade de desencadear transtorno de pânico, ansiedade, distúrbio do sono e depressão.

Essas situações representam de modo concreto, ameaça à própria existência e à vida de amigos e familiares. Para essas pessoas, o desafio é enorme no tocante a reestruturar a vida, diante de fatos tão traumáticos e aterrorizantes.

Com o intuito de minimizar o sofrimento humano diante de tragédias, a intervenção do psicólogo envolve um bloco de ações que visam auxiliar as pessoas atingidas.

Partindo das premissas da Análise do Comportamento, o terapeuta auxilia o indivíduo a lidar com as contingências ambientais aversivas e enfrentar esse momento trágico, de modo que visualize objetivamente caminhos que possa seguir para sobreviver.

No caso de Maceió, o Conselho Regional de Psicologia, CRP 15, está mobilizando a categoria, convidando voluntários para ajudarem a comunidade do Pinheiro e realizando ações para apoiar essas pessoas que necessitem de atendimento psicológico. O objetivo é minimizar o sofrimento das famílias que tiveram seus imóveis atingidos por estarem em possíveis áreas de risco.

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