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André Avlis

Sobre o autor

Radialista, natural de Maceió, cresceu em Arapiraca e trabalhou nas rádios, Cidade, A Voz do povo é a voz de Deus, Metropolitana FM, Novo Nordeste, Nova FM e atualmente trabalha na Pajuçara FM.
Postada em 13/05/2019 07:43 | Atualizada em 13/05/2019 07:52
FUTEBOL: Desculpa, Sidão. Desculpa!
Goleiro vascaíno foi exposto a uma atitude constrangedora ao fim da partida contra o Santos, na derrota por 3x0, no Pacaembu.

  Humilhante! Constrangedor! Triste!

Em toda a minha vida não achei que viria algo do tipo. Mas vi. Gostaria de "desver". Preferia que não tivesse acontecido. Mas aconteceu. Infelizmente.

Sou uma das pessoas que gosto da zoeira no futebol. Já zoei o Sidão, inclusive. Ele como goleiro do rival de meu time. Sigo isso como torcedor e como profissional. Mas, a zoeira saudável. Ela que é infinita, mas tem limites. E esse limite foi ultrapassado ontem. A linha do fim da zoeira é quando o profissional é ferido. E o ser humano humilhado. E fizeram isso com Sidão.

Antes de ser Sidão, existe o Sidney Aparecido Ramos da Silva. O cara que saiu de casa aos 14 anos para tentar uma vida melhor para sua família. Ontem, foi dia das mães. O Sidney não tem mais a sua. A Dona Vera Lúcia partiu em 2001 e seu filho se culpa por sua morte. Até hoje. Naquele tempo, se afundou na bebida, drogas e em uma profunda depressão. Tentou suicído. Parou de jogar futebol por um tempo. Mas retornou. Superou seus medos e dores, uma que ainda dói. E vai doer para sempre. Será um corte que não fechará. Porém, teve a resiliência e se reergueu. Chegou onde está por méritos e não sorte.

Um "prêmio" que é dado por uma emissora de TV, a Globo, para o melhor da partida com votação aberta para os internautas (até aí tudo bem). Usando de zoeira, a galera começou a votar no goleiro, que havia falhado em um dos gols e que além desse, sofreu mais dois. Daí começou o desrespeito.

Uma emissora tão grande. E ao mesmo tempo pequena. Bom senso não teve. Empatia? Menos ainda. Um prêmio que não representa nada, algo insignificante. Assim como a atitude de "premiar" o profissional. Não precisava. Foi desnecessário. Falharam como meio de comunicação e principalmente como pessoas.

Em meio a tudo isso, a hombridade e humildade do goleiro foram enormes. O constrangimento da repórter Júlia Guimarães era visível. A tristeza dela ao ter que entregar aquele troféu ridículo era aparente. Ele, usando de respeito (o mesmo que não tivera) foi gigante na atitude. Júlia chorou ao fim da entrevista. E sabem por quê? Ela teve empatia. Se colocou no lugar do próximo. Que estava próximo.

Desculpa por isso, Sidão. Você não merece. Aliás, nenhum profissional e ser humano merece. Se reergue como ja fizestes. Isso é só mais um obstáculo para ser ultrapassado. Até menor dos tantos que você já enfrentou. Para quem já matou leões, isso é apenas um gatinho. A Dona Vera Lúcia não estava com você ontem no Estádio. Mas está em você e com você. Levanta, Sidão! Usa a mesma força de sempre. Ressurge. E surge. E mais uma vez, Desculpa!

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